Internacional

Cerca de cem professores e alunos quebram quarentena para se manifestarem em Atenas

Professores e de alunos gregos, a maioria usando máscaras, manifestaram-se esta sexta-feira, em Atenas contra a reforma que o Governo quer impor na educação, apesar do confinamento e da proibição de ajuntamentos de mais de dez pessoas.


Cerca de uma centena de manifestantes, segundo a polícia, 150 segundo contabilizou a agência noticiosa France-Presse (AFP), respeitou na sua grande maioria o princípio de distanciamento social e reuniram-se na Praça Syntagma, diante do Parlamento, o local habitual das manifestações em Atenas.

Com as medidas restritivas em vigor há cerca de um mês, destinadas a combater o novo coronavírus, os manifestantes acabaram por surgir na Praça Syntagma e admitiram ter ludibriado as autoridades de segurança gregas, alegando que ou estavam a passear o cão, ou simplesmente a andar de bicicleta ou a fazer desporto, tal como é permitido.

"Disse que ia comprar alimentos e visitar um médico", disse à agência noticiosa espanhola EFE uma professora de Física numa escola técnica da periferia de Atenas.

"Com máscaras sim, mas mudos não", foi uma das palavras de ordens dos professores ao projeto de reforma posto quarta-feira em consulta pública pelo Ministério da Educação, que introduz mudanças em todos os níveis educativos.

A manifestação, porém, acabou por se tornar meramente simbólica, num país em que são milhares os que tradicionalmente protestam.

"Um projeto de reforma da educação em plena pandemia [do novo coronavírus)? Nunca imaginei?", ironizou um dos manifestantes.

A manifestação foi convocada pela União dos Professores do Secundário (Olme), que denunciou "a falta de diálogo" e "a forma antidemocrática" como o Governo tenta aprovar uma lei educativa em plena pandemia "enquanto o país é governado por decretos".

Não fomos informados sobre esta reforma. O Governo ficou junto à fronteira da constitucionalidade", lamentou o presidente da Olme, Theodore Tsouchlos, à rádio privada grega Skai.

Segundo o sindicato dos professores gregos, o projeto de lei aumenta o número de horas no ensino e introduz um outro projeto-piloto para o ensino do Inglês.

Tal como noutros países, a Grécia impôs, a 23 de março, um confinamento geral para travar a pandemia do novo coronavírus, que terminará a 4 de maio.

Menos afetada que grande parte dos países europeus, a Grécia contabilizou, até hoje, 128 óbitos entre as mais de 2.400 pessoas contaminadas pela covid-19.