Internacional

Adolf Hitler. O infame fim da besta

Hitler suicidou-se há 75 anos, no dia 30 de abril, exatamente dez dias depois de ter festejado com champanhe o seu 56.º aniversário. Cobardemente, abandonou o seu povo e os seus soldados, mesmo que tenha sido anunciada uma morte digna, em combate. Morreu como o canalha que era.


Adolf gostava de almoçar pontualmente: às 13h00, na companhia das suas secretárias Traudle Junge e Gerda Christian. Era tão fanático em questões de alimentação que também não dispensava a dietista, Fräulein Manziarly. Nenhuma delas sabia que nesse dia 30 de abril de 1945 fariam a última refeição com a besta que destruíra a Europa. Adolf sabia, claro! Já tinha preparado tudo para fugir como cobarde que era às consequências irremediáveis que planeara ao milímetro.
A artilharia soviética massacrava o edifício do Reich, logo ali ao lado do bunker do canalha. Adolf quis saber quanto tempo seria possível resistir até à chegada do inimigo. O Brigadenführer das SS, Mohnke, foi o mais direto que pôde: «Talvez mais um dia...»

Hitler chamou Martin Bormann, o seu secretário-oficial, e explicou-lhe o que iria acontecer em seguida: suicidar-se-ia com um tiro nessa mesma tarde. Eva Braun, a sua amante de sempre, faria o mesmo. Depois, os corpos de ambos deveriam ser incinerados. Responsável pela operação: Sturmbannführer Otto Günsche. A ordem era inequívoca: os cadáveres deveriam ficar de tal forma irreconhecíveis que não pudessem ser exibidos em público, tal como acontecera na carnificina da Piazzola Loreto com o féretro de Benito Mussolini, apenas dois dias antes. O motorista de Hitler, Erich Kempka, tinha a missão de juntar gasolina suficiente para queimar os dois defuntos.

Apesar da derrota incondicional e do opróbrio a que se via sujeito, Adolf quis manter uma última imagem de disciplina germânica para com aqueles que enfiara no seu covil ignavo até não haver saída. Envergando o habitual dólman e as calças pretas com botas até ao joelho, juntou o grupelho que o suportara até ao fim. Eva Braun estava ao seu lado, de vestido azul. Adolf estendeu a mão aos presentes: as suas secretárias, Joseph Goebbels, o Gauleiter de Berlim e seu Ministro da Propaganda, a mulher deste, Magda, e aos generais Burgdorf e Krebs. Depois enfiou-se no seu gabinete.
Os seis filhos dos Goebbels - Helga, Hilde, Hellmut, Holde, Hedda e Heide, com idades entre os quatro e os doze anos, todos batizados com nomes iniciados por H, de Hitler - continuavam a correr ingenuamente pelos corredores do bunker. A mãe, uma adoradora fanática de Hitler, não tardaria a assassiná-los a todos com cápsulas de cianeto, antes de seguir o mesmo caminho.

Eva Braun juntou-se a Adolf às 15h30. Tinham casado 40 horas antes. Não se sabe ao certo o que pretenderia Hitler com todos estes aprontos protocolares. Que a sua morte ficasse registada ao pormenor da História da Humanidade? A História da Humanidade tinha outras ideias para ele. Conceder-lhe uma divisão especial na grande fossa da ignomínia.

Leia o artigo na íntegra na edição impressa do SOL. Agora também pode receber o jornal em casa ou subscrever a nossa assinatura digital.