Sociedade

O macabro crime no Algarve que chocou um país inteiro

A vida nunca sorriu a Diogo, mas ele fez tudo para ganhar um sorriso de Maria (até lhe levava o pequeno-almoço ao trabalho). Depois de muito levar para trás, o encontro com que o jovem sempre sonhara veio com a morte. Maria e a namorada, que só queriam os 70 mil euros de uma indemnização, desmembraram-no e espalharam o seu corpo ao longo da costa algarvia. Inspiração? A série Dexter.

O jovem era demasiado previsível para desaparecer nem que fosse um par de horas sem levantar suspeitas. Vinha de uma família humilde algarvia, em que os homens faziam biscates e as mulheres limpezas, e para quem um salário regular era um milagre dependente dos caprichos do turismo. Para escapar a esse ciclo fatal, Diogo Gonçalves agarrou-se à vida com firmeza. Em Albufeira, onde nascera, terminou o liceu, cumprido com o empenho de um sacerdócio, e chegou rapidamente aos quadros de um hotel em Lagoa onde mantinha com o trabalho a mesma espécie de relacionamento religioso que o motivara enquanto estudante.

Era o que se podia dizer uma alma trabalhadora, de bom trato, inspirador, de confiança, mas sem atração pelas surpresas que animam a juventude e robustecem um homem para as ciladas do destino. Com quase todos os momentos da sua vida programados, qualquer atraso do jovem informático ao picar de ponto no hotel seria notado.

Para além disso, Diogo já tinha passado por umas tantas desgraças e a sua história dramática criara em seu torno uma muralha protetora de onde era impossível eclipsá-lo sem que soassem de imediato os alarmes de alerta. Aos 17 anos, sofrera de enfiada dois rudes golpes: um AVC deixara o pai em estado vegetativo e a mãe, que se esgadanhara para lhe dar estudos, fora atropelada e lançada para uma sarjeta no caminho para o centro comercial onde fazia limpezas. Morrera abandonada.

O jovem bem podia guardar ressentimentos do mundo, mas olhava o futuro com otimismo. Depois de viver uns tempos na casa de uma tia materna com quem se incompatibilizaria, alugou um quarto na casa dos pais do melhor amigo, em Algoz, concelho de Silves, onde se sentia de novo em família.

A 20 de março de 2020, Diogo estava com 21 anos, cheio de projetos e apaixonado – mas a sorte continuava de costas viradas para ele. Felisbela Canário, a sua senhoria, foi a última pessoa do leque de amigos mais próximos a vê-lo com vida. A mulher regressava a Lisboa, de onde era oriunda, depois de seis anos de trabalho no Algarve. Quando naquela manhã se despediu dele, com o marido, estava longe de imaginar que a sua partida pudesse precipitar o destino do rapaz que ficava a viver sozinho, abrindo a porta a uma odisseia sangrenta. Horas depois, o jovem seria assassinado e o corpo, desmembrado, espalhado por pontos estratégicos da costa algarvia.

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