Opiniao

Os cobardes do regime

Mário Coelho não foi apenas mais um toureiro que partiu deste mundo. Foi um dos melhores entre os maiores que alguma vez pisaram as arenas.

Figura grande do toureio a pé, não se limitou a encantar os aficcionados portugueses, mas  encheu também praças por esse mundo fora, impondo-se, com arte e mestria, junto dos amantes da tauromaquia e prestigiando a Nação que o viu nascer.

Para além de toureiro, Mário Coelho era igualmente um Senhor, na verdadeira acepção da palavra. Íntegro, educado e impoluto, soube também levar bem alto o nome de Vila Franca de Xira, cidade de onde era natural, granjeando o respeito e a admiração de todos os seus conterrâneos.

O Estado quis reconhecer-lhe o mérito por tão bem ter representado Portugal aquém e além fronteiras, pelo que o homenageou, em 2005, com o grau de Comendador da Medalha de Mérito, distinção atribuída pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

O mesmo Estado que agora, na hora da sua morte, o ignorou por completo.

O silêncio da ministra da cultura não é de admirar, à luz das suas convicções. Carrega consigo uma agenda ideológica, que mais não visa do que dar apenas voz às minorias histéricas, desprezando ostensivamente uma maioria votada ao ostracismo.

O seu ódio visceral pela tauromaquia é por demais conhecido, faceta que não a habilita para as funções que exerce, porque dela se exigiria imparcialidade em relação às actividades culturais que tutela.

De Costa, já nada nos surpreende. Cínico, calculista, contorcionista, falso, não dá um passo que não tenha como objectivo agradar a quem o possa perpetuar no cargo de que se apoderou.

Se amanhã se convencer de que marcar presença numa Corrida de Touros lhe trará mais vantagens do que desvantagens para a prossecução desse objectivo, não hesitará em desfilar perante as câmaras televisivas, de sorriso rasgado, junto a toureiros, como já o fez no passado.

Mas de Marcelo, o seu mutismo é inaceitável!

Não hesita em se pavonear no enterro de um actor que, independentemente do mérito em que se entregou à sua profissão, em momento algum projectou o nome de Portugal para o exterior, mas acobarda-se em emitir uma simples nota de pesar quando desaparece um dos grandes vultos da cultura portuguesa, com créditos firmados em todas as praças em que actuou, em particular nas mais importantes onde, para lá do nosso território, se lidam touros.

Marcelo esquece-se de que foi escolhido pelos portugueses para os representar, a todos, sem excepção, e parece também desconhecer que o nosso sistema político não é parlamentarista, em que o Chefe do Estado desempenha somente um papel decorativo, mas sim semi-presidencialista, no qual se espera que o presidente intervenha como moderador, sobretudo na relação com os restantes poderes estatais.

No fundo, do presidente exige-se que se comporte como um árbitro, tratando todos por igual e sem manifestar qualquer preferência por qualquer uma das partes em jogo, mesmo que as tenha.

Só assim faz sentido insistirmos neste modelo político que não tem paralelo em praticamente mais nenhuma república.

No entanto, Marcelo tornou-se igual a Costa, ou, melhor dizendo, sempre o foi, tendo apenas conseguido enganar muita boa gente que nele acreditou, estando, de momento, exclusivamente apostado em garantir apoios junto do eleitorado que lhe fugiu aquando da primeira candidatura, pressupondo como um dado adquirido a manutenção do voto dos que lhe foram fiéis no passado.

Daí ter-se encostado a Costa, convertendo-se no seu principal suporte, ao invés de defender e proteger os portugueses dos abusos da governação.

Ao desprezar a tauromaquia, quase nos mesmos termos em que o faz a ministra que tutela o sector, Marcelo deixou de ser, em definitivo, o presidente de todos quantos aqui nasceram, passando somente a representar uns quantos, por sinal aqueles que menosprezam os nossos valores culturais.

Ao recear ofender uma minoria ruidosa, que vive num mundo lunático em que os animais são encarados como uma extensão da raça humana, Marcelo perdeu, por completo, o respeito da maioria dos portugueses, afirmando-se agora como um simples joguete nas mãos do socialismo burguês.

Marcelo pode ter conquistado votos junto dessa esquerda, mas perdeu, irremediavelmente, o apoio da direita, desvanecendo-se, desse modo, o seu egoísta e patético sonho de superar o melhor resultado eleitoral em presidenciais.

Provavelmente será reeleito; muitos votarão nele não por simpatia, mas sim visto como um mal menor.

Mas, mais tarde, cairá no esquecimento e as gerações vindouras dele não se recordarão, enquanto que a tauromaquia, apesar dos marcelos, dos costas e das graças que por aqui proliferam como cogumelos, se manterá viva e com as praças cheias de aficcionados.

O regime está atolado de cobardes. No entanto, jamais nos vergaremos perante eles.