Sociedade

MP: Os crimes dos 18 arguidos

Dezoito pessoas acusadas pelo Ministério Público no âmbito do processo principal do designado Universo Espírito Santo. Ricardo Salgado, conhecido como o ‘Dono Disto Tudo’, encabeça o lote de arguidos. São centenas de crimes que estão na mira da Justiça.


Ricardo Salgado

‘O Dono Disto Tudo’, tal como é conhecido, é o protagonista do processo principal do Universo Espírito Santo. Está acusado pelo Ministério Público de 65 crimes: 29 de burla qualificada, 12 de corrupção, nove de falsificação, sete de branqueamento, cinco de infidelidade, dois de manipulação de mercado e um de associação criminosa.

Francisco Machado da Cruz

Ex-responsável pela contabilidade das entidades não financeiras do Grupo Espírito Santo (GES), é acusado de 36 crimes, entre os quais 20 de burla qualificada, cinco de branqueamento, quatro de falsificação de documento, quatro de manipulação de mercado, um de infidelidade, um de associação criminosa e outro de corrupção passiva.

Manuel Espírito Santo

O também primo de Ricardo Salgado, que fez parte do conselho administrativo do BES durante 20 anos – entre 1994 e 2014 –, é acusado pelo Ministério Público de oito crimes de burla qualificada. Foi ainda chairman da Rio Forte em 2013 e 2014 mas, antes disso, iniciou em 1995 funções no conselho superior do GES, em representação da sua mãe, Maria Espírito Santo.

José Manuel Espírito Santo

Primo de Ricardo Salgado e ex-administrador do BES, é acusado pelo Ministério Público de um total de oito crimes – sete de burla qualificada e um de infidelidade em coautoria. Fez parte do conselho superior do GES. Entre 2008 e 2014 integrou ainda o conselho administrativo da holding de topo do GES: a Espírito Santo Control (ESC).

Amílcar Morais Pires

Acusado pelo Ministério Público de 26 crimes, Amílcar Pires foi administrador e diretor financeiro do BES. É acusado de 12 crimes de burla qualificada, sete de branqueamento, dois de falsificação de documento, dois de infidelidade, um de associação criminosa em coautoria, um de corrupção passiva e outro de manipulação de mercado.

Isabel Almeida

São 21 os crimes de que a ex-administradora do BES é acusado no âmbito deste caso – onze crimes de burla qualificada, cinco de branqueamento, um de associação criminosa em coautoria, um de corrupção passiva, um de infidelidade, um de falsificação de documento e ainda outro de manipulação de mercado. Entrou no BES em 1995 e saiu em 2016.

António Soares

O ex-administrador financeiro da seguradora BES Vida está acusado pelo Ministério Público de um total de 17 crimes – seis de burla qualificada, seis de branqueamento, um de corrupção passiva, um de associação criminosa, um de infidelidade, um de manipulação de mercado e outro de falsificação de documento. Iniciou as suas funções no BES em dezembro de 1991.

Paulo Ferreira

Começou a exercer funções na área financeira do BES em 1992 e está acusado de sete crimes, entre os quais três de burla qualificada, um de corrupção passiva, um de associação criminosa, um de manipulação de mercado e outro de branqueamento. Paulo Ferreira foi subdiretor do departamento financeiro de mercados e estudos e trabalhou com Isabel Almeida, ex-administradora do BES, na emissão de dívida.

Pedro Costa

Acusado pelo Ministério Público de um total de dez crimes: três de infidelidade, três de burla qualificada, dois de branqueamento, um de corrupção passiva e um de manipulação de mercado. Pedro Costa é administrador da empresa Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF) e exerceu funções, em 1998, de assistente de direção no departamento financeiro de mercados e estudos do BES.

Cláudia Faria

A ex-diretora adjunta do departamento financeiro do BES é acusado pelo Ministério Público de seis crimes, entre os quais dois de burla qualificada, um de associação criminosa, um de corrupção passiva, um de manipulação de mercado e outro de infidelidade. Cláudia Faria entrou para o BES em 1996 e, quatro anos depois, foi diretora-adjunta do departamento financeiro de mercados e estudos, entre 2009 e 2013.

Pedro Serra

Acusado pelo Ministério Público de sete crimes – dois de branqueamento, um de associação criminosa, um de corrupção passiva, um de burla qualificada, um de manipulação de mercado e outro de falsificação de documento. Foi subdiretor do departamento financeiro do BES, tendo sido admitido no banco em 1998. Considerado um dos altos quadros do BES – assim como Nuno Escudeiro e António Leandro Soares –, Pedro Serra fez também a gestão de carteira da seguradora Tranquilidade.

Nuno Escudeiro

Considerado, tal como Pedro Serra, um alto quadro do BES, é acusado pelo Ministério Público de oito crimes: dois de burla qualificada, dois de branqueamento, um de corrupção passiva, um de associação criminosa, um de falsificação de documento e outro de manipulação de mercado. Foi diretor-adjunto do departamento financeiro do BES, onde entrou em 1998 para o backoffice da sala de mercados, segundo pode ler-se no despacho de mais de quatro mil páginas ao qual o SOL teve acesso.

Pedro Pinto

Ex-coordenador da área de conceção de produtos do BES é acusado pelo Ministério Público de um total de 18 crimes, entre os quais seis de burla qualificada, seis de branqueamento, dois de infidelidade, um de corrupção passiva, um de associação criminosa, um de manipulação de mercado e ainda outro de falsificação de documento.

Alexandre Kadosch

Suíço, presidente da empresa Eurofin e acusado de 18 crimes – sete de branqueamento, seis de burla qualificada, um de corrupção passiva, um de associação criminosa, um de falsificação de documento, um de infidelidade e ainda outro de manipulação de mercado.

João Martins Pereira

Ex-assessor da administração do BES acusado pelo Ministério Público de três crimes de burla qualificada. Entrou no banco privado em abril de 2003, por convite de Ricardo Salgado, para exercer funções de assessor no conselho administrativo do BES. Liderou ainda o departamento de compliance e de auditoria.

Michel Creton

Também de nacionalidade suíça, tal como Alexandre Cadosch, Michel Creton, administrador da empresa Eurofin, é acusado de um total de 17 crimes – sete de branqueamento, seis de burla qualificada, um de associação criminosa, um de corrupção passiva, um de falsificação de documento, um de manipulação de mercado e outro de infidelidade.

João Alexandre Silva

Pertencente à Comissão de Auditoria do BES e ex-diretor da sucursal do banco na Madeira, é acusado de dois crimes de falsificação de documento. Iniciou funções no BES em 1994, trabalhou como subdiretor num departamento na unidade madeirense, tendo sido posteriormente nomeado diretor-adjunto do Departamento de Private Banking, em 1998, e depois diretor, em 2000. Em junho de 2017, cessou o contrato de trabalho já no Novo Banco.

Paulo Jorge

É o arguido que é acusado pelo Ministério Público de menos crimes, tendo sido diretor de banca privada do BES. É acusado de um crime de falsificação de documento. Durante as suas funções, acompanhava clientes institucionais sul-americanos, tendo sido, por isso, uma ponte nos negócios com a Venezuela. Entrou no BES em julho de 2007, depois de ter trabalhado durante cinco anos, entre 2002 e 2007, na sucursal portuguesa do Banco do Brasil.