Opiniao

O regresso da censura

Há poucos dias, uma certa ministra, conhecida por ter ascendido ao actual cargo não por mérito que tivesse anteriormente provado possuir para o seu exercício, mas sim por via da ascendência paternal, veio a público anunciar a boa-nova, a de que o governo vai monitorarizar o discurso de ódio nas plataformas online.

Quase cinco décadas depois da abolição formal da censura, concretizada após a queda do Estado Novo, o governo socialista prepara-se para a reintroduzir oficialmente, atribuindo-lhe, agora, o pomposo nome de monitorização.

Há poucos dias, uma certa ministra, conhecida por ter ascendido ao actual cargo não por mérito que tivesse anteriormente provado possuir para o seu exercício, mas sim por via da ascendência paternal, veio a público anunciar a boa-nova, a de que o governo vai monitorarizar o discurso de ódio nas plataformas online.

Para esse efeito, segundo as suas palavras, vai-se proceder à contratação pública de um projecto que terá como finalidade o acompanhamento e identificação de sites que promovam esse tipo de discurso.

Escassos dias depois foi a vez dos responsáveis pela administração interna darem a conhecer a sua intenção de ordenarem a punição disciplinar dos polícias que, através das redes sociais, denotem comportamentos racistas.

O regime, servindo-se dos seus tentáculos que se estendem a todos os poderes decisórios da sociedade, há muito que controla a comunicação social, tendo, aliás, recentemente, agraciado-a, generosamente, com 15 milhões de euros, dinheiro esse surripiado dos bolsos dos portugueses, tornando-a, dessa forma, ainda mais submissa ao pensamento dominante.

Todos os sermões audíveis na nossa imprensa, salvo raríssimas e honrosas excepções, caminham num sentido único, abafando-se, ostensivamente e sem nenhum pudor, qualquer voz que se atreva a desalinhar do discurso oficial.

Permitem-se alguns comentadores que não navegam no imenso oceano socialista que nos inunda, mas apenas para inglês ver, porque aqueles, talvez com receio de perderem o palco, não ousam confrontar o politicamente correcto, revelando-se dóceis para com o poder instituído.  

A censura, sejamos francos, não morreu com a abrilada. Pelo contrário, refinou-se, evoluindo para um estado bem mais opressor para quem pensa de maneira diferente.

Antes da revolução o censor limitava-se a riscar as partes de um texto que lhe pareciam subversivas, enquanto que agora se riscam, pura e simplesmente, os seus autores.

Quem se recusa a prestar vassalagem à partidocracia que diariamente nos afunda cada vez mais para a cauda dos países ditos civilizados, é banido dos assuntos da governação, sendo apontado e ridicularizado, na praça pública, como um perigoso lixo tóxico para a vivência em sociedade.

No entanto, o regime tem-se visto impotente para silenciar as opiniões livres que são vinculadas nas redes sociais, razão pela qual considera premente domesticá-las, justificando a sua ignóbil  intrusão no pensamento livre com a pretensa intenção de combater o discurso de ódio.

Monitorizar as redes sociais, conforme o governo pretende, não é mais do que um recurso camuflado à censura, legalizando-a, e procurando-se, desse modo, silenciar todos quantos se dispõem a denunciar as atrocidades cometidas contra a civilização ocidental, que tem na unidade da família a primeira de todas as suas causas.

Para os novos censores, escondidos num comité qualquer pago com os nossos impostos, discurso de ódio será todo aquele que se oponha à ideologia do género ou que questione as autoridades pelo fechar de olhos a uma imigração ilegal, lesiva para a preservação da nossa cultura e dos nossos costumes e tradições.

Quem ousar insurgir-se contra os caprichos das minorias, que impõem a toda uma população os seus erráticos, histéricos e patéticos pontos de vista, será de imediato acusado de fomentar o ódio, apagando-se a sua voz de qualquer registo ao alcance do público em geral.

Mas o governo quer ir mais longe. Não lhe basta calar quem o incomode, recorre igualmente à ameaça, acenando com uma punição exemplar, vista como uma intimidação que visa dissuadir quem não se queira acobardar perante o censor.

Um polícia que regresse ao seu lar depois de um giro extenuante, durante o qual foi agredido por um qualquer apátrida que recusa submeter-se à autoridade vigente no País que o acolheu, e que, desgastado e revoltado com a sua sorte, fruto da incompetência de quem tem como obrigação garantir-lhe as melhores condições de trabalho, resolva desabafar tudo quanto lhe vai na alma, fazendo-o numa rede social e através de uma publicação destinada aos amigos por si escolhidos, arrisca-se a uma sanção disciplinar, sob o pretexto de exteriorizar comportamentos racistas.

Estamos perante uma grotesca intromissão do Estado no domínio privado e num descarado atentado à liberdade de expressão, imposto por força de Lei.

É esta a pseudo-democracia que Abril nos deixou. 

Pedro Ochôa