Tautologias

Espuma de Verão

1. Sinal de vida O secretário de Estado da Saúde, António Sales, emocionou-se e conteve uma lágrima. 
Só um homem bom chora. Um gesto humano, no meio indiferente das estatísticas.

2. ‘Que importa, chegarão ao nosso lado...’ Quando as coisas começam a melhorar, na altura de um previsível segundo surto, o PCP não hesita em impor a força que lhe dão. Sabe-se como os militantes são obedientes. Mas como 100 mil pessoas vão deixar de respirar? E manter o distanciamento? E evitar o efeito multiplicador nos transportes? Como é a que a Sr.ª DGS avaliza tal realização? Como irá poder voltar a falar aos portugueses?

3. O estado em que socialistas dizem estar o Estado Li no Facebook: «O OK à Peregrinação do Avante! terá sido dado em troca de a CGTP ajudar a enquadrar o descontentamento que virá na sequência das insolvências que se anunciam». 
Não acredito que António Costa trocasse a vida de portugueses por tática política. 

4. Prova real «Dar dinheiro a políticos portugueses é como colocar um gato a guardar um cabaz de sardinhas», terá dito um ministro holandês. Um ministro europeu e de um país aliado não pode ter dito tal coisa. Mas se fosse um cidadão português, compreender-se-ia que o dissesse.
E o Governo de Portugal vai provar que não será assim. 

5. Elogio de Barreto Mário Soares venceu Álvaro Cunhal duas vezes. Quando livrou o país do terror que ele imporia, e quando lhe ofereceu a liberdade – que, em democracia, é para todos. Soares não precisa de mais elogios. É uma das figuras maiores da democracia do século XX, o último dos combatentes da liberdade a derrotar o derradeiro assomo de estalinismo na Europa Ocidental. Barreto fez-lhe agora o elogio: «O Soares não deixou crentes e o Salazar também não»; já Cunhal «é um fenómeno de crença religiosa ou política». Se Soares deixasse crentes, não teria sido o grande Mário Soares que foi. Só os ditadores deixam crentes. Os de Salazar foram morrendo e não teve ‘igreja’ de trevas que lhe alimentasse o culto. Ao contrário de Cunhal, Estaline e Trotsky, que continuam aberrantemente a ter crentes entre nós.

6. Não há racismos que resistam... Quando vejo a foto do bailarino Marcelino Sambé, rejubilo com os livros que publiquei explicando que nada fundamenta a ignóbil pulsão racista. Ergam-se portugueses negros! Resistam aos que querem manter-vos no gueto dos complexos absurdos, da vitimização que vos tolhe. O país precisa da vossa inteligência, talento e vontade!

7. Nunca mais é sábado... Vi a ponte engarrafada com o vírus a ir para férias. O repórter perguntou a um veraneante como passava os dias. «Dou uns mergulhos» e «descanso». Descansámos até ontem no confinamento. Está toda a gente a descansar agora. Muito trabalham os portugueses para precisarem tanto de descanso... E depois? Depois estendemos a mão aos ‘frugais’. Quando D. Landes, professor de Harvard, esteve em Lisboa para lançar o seminal Sobre a Pobreza e a Riqueza das Nações, queixei-me que os alunos em Harvard trabalhavam muito. «Sim, muito, nos cursos de Ciência onde ainda não entrou a treta dos ‘estudos culturais’». «Mas o que há mais para fazer?» – rematou.
Por isso os judeus são como são e nós o que somos. E talvez por isso os expulsámos.