Internacional

Suspeito de matar ativista de extrema-direita abatido

‘Aquele tiro pareceu-me o início de uma guerra’, disse Michael Reinoehl, que afirmou providenciar ‘segurança’ em manifestações antirracistas em Portland.

Michael Reinoehl, de 48 anos, que estava a ser investigado pelo homicídio de um membro da extrema-direita, durante confrontos entre apoiantes de Trump e manifestantes, em Portland, na semana passada, foi abatido por agentes federais que o tentavam deter, na quinta-feira, anunciaram as autoridades. O suspeito, que se escondeu em Lacey, Washington, terá entrado num veículo, que foi alvo de disparos pelas autoridades, tentado escapar a pé e puxado de uma arma de fogo, acabando alvejado por quatro agentes.

A vítima mortal chamava-se Aaron ‘Jay’ Danielson, de 39 anos, e fazia parte do grupo de extrema-direita Patriot Prayer. Não foi a primeira vez que Reinoehl esteve na mira da justiça. No início de julho, foi detido por porte de uma arma carregada numa manifestação e resistir à detenção, lê-se na Vice News, que recentemente divulgou uma entrevista com o fugitivo. 

No final desse mês, Reinoehl, um veterano do exército, pai de dois filhos, que afirmou providenciar «segurança» em manifestações do movimento Black Lives Matter, acabou baleado no braço. Tentava tirar uma arma da mão de Aaron Scott Collins, membro dos Patriot Prayer, durante uma briga caótica em Portland, segundo o Oregonian.

Portland, um dos pontos focais dos movimentos antirracistas e de contracultura norte-americanos, tornou-se num microcosmos da polarização que se vive nos Estados Unidos. No dia em que foi abatido Danielson, uma caravana de camiões, cheios de bandeiras em defesa da polícia, ou slogans como «Trump 2020», atravessou a baixa da cidade, onde decorriam protestos. Houve confrontos violentos, a murro, foram disparadas armas de paintball do topo dos camiões e arremessadas pedras pelos manifestantes. Subitamente, ouviu-se fogo real, que atingiu Danielson no peito. 

Reinoehl pareceu admitir a autoria dos disparos, durante a sua entrevista à Vice. Já havia provas bastante fortes: um homem com uma tatuagem no pescoço, que poderia ser a de Danielson, de um punho negro, foi filmado de relance, ao longe, a disparar. «Eu não tinha escolha. Quer dizer, eu tinha uma escolha. Poderia ter ficado sentado e vê-los matar um amigo meu de cor. Mas não ia fazer isso», defendeu. Segundo Reinoehl, Danielson tinha ameaçado pessoas com uma faca, após ser filmado a atirar gás pimenta contra manifestantes. «Ele ter-me-ia esfaqueado ou atirado gás pimenta», disse o fugitivo, que disparou dois tiros e virou as costas. 

«Honestamente, odeio dizê-lo, mas eu vejo uma guerra civil mesmo ao virar da esquina», continuou Reindoehl, cuja morte já espoletou protestos com centenas de pessoas, na quinta-feira, à porta de uma esquadra da polícia. «Aquele tiro pareceu-me o início de uma guerra».