Cultura

CCB perde 2,5 milhões com a pandemia

Com desafios acrescidos devido à pandemia, CCB teve de programar com um orçamento que se ficou por 1,8 milhões de euros.

A nova temporada do Centro Cultural de Belém (CCB), apresentada na quarta-feira, em Lisboa, tem como mote a instável noção ‘Entre’, que desenha uma função intersticial, colocando-se «entre momentos históricos e modelos políticos, entre horizontes coletivos e esperanças singulares, entre identidades de género e a fluidez do mundo». E desde logo está marcada pelos constrangimentos provocados pela crise pandémica, com o programador Delfim Sardo a reconhecer que houve necessidade de fazer reajustes e reagendamentos, de tal modo que, estando a programação delineada até ao verão de 2021, para já só foram anunciadas as iniciativas agendadas até janeiro, uma vez que «há projetos e programas que podem vir a ter alterações». O administrador responsável pela programação cultural do centro adiantou que, além da pandemia, a margem de incerteza prende-se também com a presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, que ocupará parte dos espaços do CCB.

O programa Dias da Música, um dos mais emblemáticos do CCB, viu a edição deste ano, que seria dedicada a Beethoven, cancelada, e Delfim Sardo disse à imprensa que o projeto está a ser reestruturado e irá ser retomado num novo modelo. Além dos condicionamentos no que toca à programação cultural, a crise tem-se feito sentir ao nível da gestão deste organismo, e o presidente do conselho de administração, Elísio Summavielle, falou nos desafios que o CCB está a enfrentar do ponto de vista do equilíbrio orçamental. Summavielle adiantou que, desde março, o CCB perdeu cerca de 2,5 milhões de euros de aluguer de espaços para conferências, congressos e outros eventos, mas que, ainda assim, foi possível fazer a programação com cerca de 1,8 milhões de euros.

Apesar do cancelamento dos Dias da Música, o 250.º aniversário do nascimento de Beethoven não deixará de ser assinalado, seja com a orquestra Melleo Harmonia (que interpretará a Sexta Sinfonia, a Pastoral e o Concerto para Piano n.o 5, Imperador) ou com o DSCH - Schostakovich Ensemble, com os trios para piano, clarinete e violoncelo.