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Medina descobre o caminho marítimo para os fundos da bazuca

No caso da bazuca estamos a falar de pedir dinheiro emprestado que vai ter de ser pago por nós e pelos nossos filhos. Ora, em 2016 Fernando Medina pediu 250 milhões de euros emprestados ao Banco Europeu de Investimento (BEI) justamente para fazer face aos problemas de habitação e transporte numa história que merece ser aqui contada outra vez.

No discurso do 5 de Outubro, Fernando Medina declarou: «A pandemia veio tornar visíveis debilidades da área metropolitana», o programa de recuperação é «uma responsabilidade pesada», mas também uma «oportunidade única» que a Área Metropolitana de Lisboa, da qual Medina também é presidente, não pode desperdiçar. Segundo o autarca, a habitação e os transportes estão no centro dos programas para onde o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pretende canalizar os ‘apoios’ do plano de recuperação económica desenhado pelo Governo. Estou a citar jornais do dia da Implantação da República. Tem a sua ironia Fernando Medina referir-se à «última oportunidade» no dia 5 de Outubro. A tradição de país perpetuamente adiado a viver de promessas de riquezas brutais e inesperadas já dura desde o 5 de outubro inaugural de 1143 quando, pelo Tratado de Zamora, nascia Portugal.

Uma pessoa lê estas coisas e não cessa de se espantar. Desde logo porque o PS governa Lisboa desde 2007 e agora é que dá pelas ‘debilidades’. Depois porque Fernando Medina já nos brindou com duas últimas oportunidades: o plano Juncker e o Turismo.

No caso da bazuca estamos a falar de pedir dinheiro emprestado que vai ter de ser pago por nós e pelos nossos filhos. Ora, em 2016 Fernando Medina pediu 250 milhões de euros emprestados ao Banco Europeu de Investimento (BEI) justamente para fazer face aos problemas de habitação e transporte numa história que merece ser aqui contada outra vez.

António Costa e Fernando Medina chamaram os banqueiros do BEI a Lisboa, os quais, no Pátio da Galé, anunciaram ao país e ao mundo, que Lisboa era a primeira cidade da Europa a ter a honra de ter um grande empréstimo.

António Costa, nesse dia 24 de outubro de 2016, anunciou às TVs que ia ser um ‘maná’. Lisboa seria agora uma verdadeira capital europeia. Anunciou escolas, creches, parques de estacionamento, o plano de drenagem. Anunciou o plano, um gigante empréstimo de 250 milhões de euros, com a contrapartida de a CML gastar outros tantos 250 milhões. 500 milhões de euros a serem gastos entre 2016 e 2020, para serem pagos a vinte anos. Chamaram-lhe o grande plano de investimento.

Aliás, Fernando Medina, fez o anúncio a 10 de setembro de 2016 em entrevista a um semanário quando disse «Lisboa vai ser o primeiro município com financiamento do plano Juncker. Hoje a grande prioridade em Lisboa é o direito da classe média à habitação. Teremos T0 a 200/250 euros e T2 a 400/500 euros».

Em 2016, o turismo estava a crescer a olhos vistos mas seria em 2019 que atingia o seu pico, de tal forma que os jornais titulavam ‘Lisboa nunca teve tanto dinheiro’, ‘febre imobiliária e turismo enchem cofres de Lisboa que tem orçamento milionário este ano e promete investimento recorde, centrado na habitação educação e mobilidade’. Estávamos a falar de um orçamento municipal de 1472 milhões de euros, mais 190 milhões do que em 2018. Medina declarava «o turismo na Área Metropolitana de Lisboa vale seis Autoeuropas. Aliás, para se ter uma ideia de como jorrava dinheiro, voltou-se ao tempo dos palácios feitos com ouro do Brasil. Até houve 15 milhões de euros para acabar o Palácio da Ajuda!

Pediram-se 250 milhões de euros emprestados ao BEI em 2016. Os cofres abarrotaram com turismo e negócio imobiliário em 2019. Nada, nunca chega. Por mais que venha, vai tudo.

O fraco rei faz fraca a forte gente.