Economia

Montepio. "Situação é grave e é irreversível com atual administração"

Um grupo de associados pede ao Governo para intervir na instituição devido à “crise estrutural” que está a atravessar.

Um grupo de associados da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) – e que junta nomes como, Fernando Ribeiro Mendes (ex-administrador da AMMG), João Costa Pinto (ex-Banco de Portugal e conselheiro da AMMG), João Proença (ex-líder da UGT) e Eugénio Rosa – pede a intervenção do Governo e dos reguladores no sentido de se encontrar soluções para “evitar o colapso” da instituição que gere poupanças de mais de 600 mil associados.

“A situação é grave, mas reversível. Só é irreversível com a atual administração”, refere Pedro Corte Leal, durante a apresentação do manifesto, apelando à necessidade de criar um plano de salvação “em consonância com o Governo, nomeadamente no domínio do suporte financeiro”. 

De acordo com o manifesto não há dúvidas: “O universo Montepio está numa situação dificílima, mas que ainda por ser revertida, com competência, idoneidade, coerência de ação e de sentido e urgência”. No entanto, chama a atenção para o facto de esta “reversão não estar ao alcance da atual administração”, acrescentando que “a cooperação com o Governo é essencial ao sucesso de uma operação de salvação do Montepio”. 

Este grupo de associados dá como exemplo o agravamento da situação financeira do banco que, segundo os mesmos, tem vindo a deteriorar-se e que é visível pelas contas referentes a 2019. E não fica por aqui: “A aquisição do Finibanco acima do valor real, a concessão de crédito sem uma avaliação séria do risco e a aquisição da Real Seguros” são outros exemplos apontados e que “põem em risco o projeto Montepio”. 

O bónus fiscal de 809 milhões de euros - solução encontrada por Vieira da Silva, antigo ministro do Trabalho e Segurança Social - foi considerado sobreavaliado pela PwC, a atual auditora do Montepio, e as contas fechadas no ano passado registaram perdas de 408,8 milhões de euros.

A solução, de acordo com este movimento, passa por substituir a atual administração liderada por Virgílio Lima. “A administração em funções tem a sua capacidade completamente esgotada. Não tem a confiança necessária, não são parte da solução, como são um obstáculo à solução”, salienta Pedro Corte Real.

Este grupo deverá entregar uma carta ao primeiro-ministro, António Costa, outra ao governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, e também uma à presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Margarida Corrêa Aguiar.

Recorde-se que na discussão do Orçamento do Estado para 2021, o ministro das Finanças, João Leão, garantiu que a proposta orçamental não prevê qualquer apoio público ao Montepio.

Entretanto, a Associação Mutualista Montepio Geral já tem o registo definitivo da revisão dos estatutos por parte do Ministério do Trabalho. Os novos estatutos estavam desde novembro de 2019 a ser analisados pelo Executivo (pelo ministério que tem tutela) para avaliar se estavam em linha com o novo código das mutualistas que foi aprovado em 2018.