Internacional

Pasteleira é presa por fazer cupcakes enfeitados com formas de órgãos genitais no Egito

As autoridades egípcias invadiram a casa da pasteleira que fez os cupcakes e prenderam-na por infringir a “decência pública” e libertaram-na sob fiança por 5.000 libras egípcias, cerca de 259,70 euros.


Um grupo de mulheres seniores causou um escândalo a nível nacional, no Egito, por comerem cupcakes enfeitados com formas de órgãos genitais. Esta situação captou a indignação da população, mas também a atenção dos políticos e das autoridades egípcias nas redes sociais.

Nesta segunda-feira, as mulheres do Gezira Sporting Club estavam a celebrar numa festa de aniversário e tinham cupcakes enfeitados com formas de órgãos sexuais para a comemoração. As mulheres partilham imagens nas redes sociais com a hashtag # نادي_الجزيره, Gezira Club em língua árabe e tornou-se rapidamente num assunto mais falado nas redes sociais egípcias.

As autoridades egípcias invadiram a casa da pasteleira que fez os cupcakes e prenderam-na por infringir a “decência pública” e libertaram-na sob fiança por 5.000 libras egípcias, cerca de 259,70 euros.

De acordo com a imprensa egípcia, um dos sócios do Gezira Club foi à loja da pasteleira e entregou uma fotografia de vários órgãos genitais, pedindo que fosse esta a decoração dos bolos.

Uma das mulheres presentes na festa foi Soheir El Attar, de 75 anos, uma figura conhecida no Egito por ter ganhado a medalha de prata no Masters do Mundo de Natação em 2019, na categoria de 70-75 anos, e também é professora de medicina na Universidade de Cairo.

O Ministério da Juventude e do Desporto não deixou este escândalo passar e decidiu montar uma comissão jurídica esta segunda-feira para investigar o incidente e apurar as repercussões.

Khaled Abdel Mawla, membro do parlamento do distrito de Husseinieh, pediu ao Ministro da Juventude e do Desporto que dissolvesse o Gezira Club e rescindisse a filiação de todos os envolvidos.

Além disso, Mawla ainda criticou a festa por não haver distanciamento social, regra imposta devido à pandemia de covid-19, e por infringir a religião e os costumes.

Nesta terça-feira, o Gezira Club anunciou a suspensão dos membros que participaram na festa até à conclusão da investigação interna que o clube está a realizar.

A população egípcia também não gostou dos atos praticados na festa de aniversário. Vários internautas apoiaram a prisão das mulheres, acusando-as de serem “nojentas e de “desrespeitarem as tradições”.

Porém, outras pessoas foram em defesa das mulheres. “O surrealismo é real no Egito... Os militantes caíram nas mãos de um pênis de glacê perfeito e de um fondant de fio dental amarelo... O estado egípcio não hesita em esmagar o verdadeiro inimigo", brincou a jornalista Gigi Ibrahim.

Alguns até usaram este momento para destacar a diferença na indignação das pessoas em comparação com os casos de assédio sexual no país.

“As pessoas no Egito (e nos meios de comunicação) realmente ficam chateadas com as senhoras idosas que desfrutaram de cupcakes genitais num aniversário, mais do que a violência sexual desenfreada e o assédio no país”, disse Mohamed Khairat, fundador da editora Egyptian Streets.