Internacional

Combater a terceira vaga

Países como a Espanha, a Holanda e a Alemanha já anunciaram a intenção de prolongar as medidas restritivas para abrandar o aumento de contágios de covid-19.

A colher as tempestades semeadas pelo relaxamento das medidas de prevenção contra a covid-19 durante o Natal e a passagem de ano, a Europa está a ser assombrada pela terceira vaga da covid-19.

Aliado ao medo da entrada das novas estirpes do vírus nas suas fronteiras, diversos países são obrigados a tomar medidas para proteger as suas populações.

O chefe do serviço de doenças infecciosas do Hospital Ramón y Cajal, em Madrid, Santiago Moreno, alertou ao El País que «estamos a assistir às consequências do relaxamento durante as festas de Natal e a tendência vai continuar nos próximos dias».

Apesar de, no início da semana, o governo espanhol ter colocado de parte a hipótese de realizar um novo confinamento, diversas regiões autónomas pretendem aumentar as restrições e apelou ao governo para aumentar o período de recolher obrigatório.

No entanto, o ministro da Saúde, Salvador Illa, recusou este pedido defendendo que as medidas em vigor são «suficientes».

Espanha, que na primeira metade do mês registou mais 300 mil novos contágios e 2.477 mortes, além de já ter registado casos da nova estirpe da covid-19, foi vítima de um dos maiores nevões das últimas décadas, que provocou o atraso na entrega das vacinas e obrigou comunidades autónomas, como Madrid, a decretar zona de catástrofe.

A vontade de apertar as medidas também foi anunciado nos Países Baixos. O primeiro-ministro demissionário, Mark Rutte, apelou ao Parlamento para que seja aprovado um recolher obrigatório noturno diário entre as 20h30 e as 04h30, afirmando que o país se encontra «num momento crucial para a segurança de todos, para a saúde pública nacional».

Esta missão é mais difícil do que parece: o atual executivo em funções holandês demitiu-se em bloco, devido ao escândalo relacionado com abonos de família, e tem, agora, de convencer o deputados mais céticos sobre a eficácia da medida.

 

França não mexe

Uma semana depois de ter sido anunciado a generalização do recolher obrigatório entre as 18h e a 6h na França, o porta-voz do governo, Gabriel Attal, anunciou que não vai haver alterações nas restrições deste país.

«Vamos dar uma hipótese [a estas medidas], é possível que permitam travar mais a circulação do vírus no nosso país», disse na quarta-feira.

A declaração do governo francês coincidiu o mesmo dia em que, supostamente, deveria acontecer a reabertura de bares e restaurantes, cujo futuro continua incerto. Segundo Attal, o ministro da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, anunciará «aos profissionais deste setor, até ao final da semana», se as medidas serão ou não levantadas.

 

Duro sucesso alemão

Apesar de ter estabilizado os casos de infeção de covid-19, o governo alemão vai prolongar o confinamento pelo menos até dia 14 de fevereiro.

O anúncio foi feito pela chanceler Angela Merkel, no final de uma reunião com os 16 líderes regionais. «Todos os nossos esforços para conter a propagação do vírus estão a enfrentar uma séria ameaça», alertou, numa referência à possível entrada da nova estirpe da covid-19 em território alemão.

Merkel anunciou que o prolongamento do encerramento dos restaurantes, lojas e escolas até 14 de fevereiro e, às medidas que já estão em vigor, acrescentou a utilização obrigatória das máscaras cirúrgicas ou FFP2, considerada mais eficaz, nos transportes públicos e lojas e o alargamento do teletrabalho sempre que possível.