Economia

TAP só tem liquidez para março

A companhia não tem dinheiro para pagar a trabalhadores e fornecedores para lá de março. Governo tenta injetar 200 milhões, mas tem oposição de Bruxelas. Groundforce anunciou que não tem dinheiro para pagar fevereiro.

O Grupo TAP só tem liquidez para enfrentar os custos com os salários dos trabalhadores e os pagamentos a fornecedores até final de março. O Governo pretende injetar mais 200 milhões de euros na empresa mas, neste momento, precisa da aprovação da Comissão Europeia para fazê-lo. As negociações com caráter de urgência prosseguem em Bruxelas, mas os responsáveis europeus têm vindo a torcer o nariz em relação à possibilidade de mais investimento público – depois da ajuda pública de 1200 milhões em 2020 – sem que o plano de reestruturação esteja aprovado e finalmente em andamento. 

Os planos do Governo e da TAP derraparam. Em dezembro, o documento desenhado por uma equipa alargada chegou às mãos da Direção-Geral da Concorrência (DGComp). Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração da TAP, poucos dias depois, em entrevista ao Nascer do SOL, descrevia um plano «resiliente e, ao mesmo tempo, prudente e cauteloso» que esperava ver receber luz verde de Bruxelas até ao final do primeiro trimestre deste ano.

As negociações com os sindicatos, porém, arrastaram-se para lá do previsto. Enquanto a comitiva portuguesa, liderada pelo secretário de Estado do Tesouro, Miguel Cruz, se desdobrava em argumentos em sucessivos encontros com os membros da DGComp, o tempo esgotava-se em Portugal nos braços-de-ferro entre Governo, TAP e sindicatos. E sem o acordo com todos os trabalhadores, o prazo resvalou. «Provavelmente, já não será em março que as negociações terminam, mas não será muito depois», admitiu Frasquilho, esta semana, no Parlamento.

A primeira consequência prática desta crise de tesouraria fez-se sentir na Groundforce (SPdH), empresa de handling do grupo TAP, que informou esta semana aos cerca de 2400 trabalhadores que não vai conseguir pagar os salários de fevereiro, pelo menos nos próximos 15 dias.

Numa carta interna dirigida aos trabalhadores, Alfredo Casimiro, presidente da empresa, admite que tem conseguido sobreviver apenas com o apoio do grupo TAP – que detém 49,9% do seu capital social – mas, neste momento, nem isso lhe poderá valer. «O conselho de administração da TAP informou hoje [quinta-feira] não lhe ser possível conceder este auxílio que, acreditamos, seria o último antes da contratualização do empréstimo bancário com garantia de Estado», lê-se na nota.

A próxima semana será decisiva. Governo e TAP vão procurar desbloquear em Bruxelas a verba na posse dos resultados favoráveis da votação de sexta-feira dos acordos de emergência para os pilotos e os tripulantes de cabina. 

A companhia precisa do aval de Bruxelas para pedir o empréstimo de 970 milhões (previsto no documento para 2021). Se, todavia, os juros cobrados forem muito elevados, o Governo vai garantir o empréstimo ou mesmo injetar dinheiro na companhia. Será esta a solução a médio prazo para os problemas de tesouraria – a TAP precisava de cerca de 100 milhões por mês.