Sociedade

"Esta oportunidade acaba por tranquilizar os oeirenses"

Desde segunda-feira, os residentes no concelho de Oeiras podem realizar testes antigénio em farmácias que aderiram ao programa de testagem massiva da autarquia.

Entrar, desinfetar as mãos e trilhar um percurso diferente daquele que é feito pelos restantes clientes é imperativo para os utentes que pretendem realizar um teste antigénio na Farmácia Nova de Carnaxide, uma das nove que, até esta terça-feira, havia aderido ao programa de testagem massiva à população promovido pela Câmara Municipal de Oeiras.

“Visto-me sempre na casa de banho, mas retiro o fato e a bata aqui para não contaminar os outros espaços”, explica Rita Braga, responsável pela equipa de testagem do estabelecimento que, normalmente, faz dois ou três testes por dia. “Mas a quantidade tem vindo a aumentar ao longo do tempo porque as pessoas não tinham a perceção total desta possibilidade”, assume a farmacêutica, acrescentando que desde segunda-feira “nota-se uma diferença astronómica, principalmente, em relação à curiosidade que existe”.

As precauções “Apanhámos muitas pessoas que estavam infetadas e dirigiram-se aqui”, desabafa a jovem, enquanto aponta para os sofás plastificados e elucida que este é um procedimento levado a cabo para que os utentes se possam sentar ou pousar os seus pertences em segurança.”Em conversa, detetávamos algo e sugeríamos que a pessoa, por exemplo, ligasse para o SNS24 e obtínhamos como resposta ‘Sim, eu já sei que estou positivo’”, lamenta a profissional de saúde.

Por terem experienciado estas situações, os membros da equipa adotam medidas para se protegerem que, até agora, têm resultado, pois nenhum ficou infetado. “Já estamos programados para termos ainda mais cuidados, principalmente, naquilo que diz respeito aos equipamentos de proteção individual”, confessa, adiantando que se sentiam muito mais expostos ao balcão, há uns meses, do que a fazer a testagem agora. 

“Sentimos a nossa integridade colocada em causa muitas vezes”, admite, adicionando que “com o passar do tempo, tudo começou a ser instintivo, como desinfetar as mãos constantemente, os balcões, usar máscaras e viseiras, fazer as refeições isoladamente, não ligar o ar condicionado ou até deixar a porta sempre aberta para o ar circular”.

O processo “Os resultados demoram cerca de 15 minutos a surgirem. Trato logo de fazer o registo no Excel que gera os documentos que são enviados às entidades diariamente e o e-mail ou SMS aos doentes”, elucida Rita, enquanto mostra a zaragatoa e explica que esta “não magoa, apenas faz impressão porque toca no canal lacrimal”.

Para que os munícipes possam usufruir dos dois testes mensais patrocinados pela câmara municipal, basta que, além dos dados habitualmente fornecidos para a realização do teste, permitam que a equipa envie uma SMS para o número 3838, normalmente usado para receção de dados eleitorais, para que a farmácia tenha, deste modo, um comprovativo de morada.

“Ontem à tarde fizemos quatro testes e, hoje de manhã, cinco”, frisa Rita, avançando que “as pessoas perguntam mais pelo serviço e procuram-no, acima de tudo, devido à informação veiculada pela comunicação social”.

Ainda que note que os portugueses encaram o coronavírus de forma mais séria, a farmacêutica reconhece que “tudo depende da forma como encaramos a vida porque há quem respeite os outros e as regras e quem desvalorize a doença”, contudo, “agora percebem que a covid-19 não afeta só os outros porque já estiveram infetados ou perderam alguém devido à pandemia”.

“Esta oportunidade é essencial para que o plano desconfinamento seja feito com cuidado e acaba por tranquilizar os oeirenses”, conclui.