Internacional

Bielorrússia. Sanções para o país que sequestrou o primeiro "jornalista terrorista"

Membros da UE e NATO vão proibir a aviões da Bielorrússia de aterrar nos seus aeroportos e suspender as ligações terrestres.

No mais recente episódio antidemocrático do seu regime, Alexander Lukashenko foi acusado de desviar para Minsk um avião de forma a deter um jornalista que tinha fugido para o estrangeiro. O caso está a gerar acusações de terrorismo por parte de vários governos e a União Europeia já está a avaliar possíveis sanções.

Os líderes da UE e da NATO estiveram reunidos na segunda-feira em Bruxelas para discutir que medidas aplicar: entre estas incluem-se a proibição de a companhia nacional bielorrussa, a Belavia, aterrar em aeroportos da UE e a suspensão do tráfego de transportes terrestres.

“Isto foi, de facto, pirataria aérea patrocinada pelo Estado”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Simon Coveney, frisando que “ações terão mais peso que palavras” e que terão de ser tomadas sanções com uma consequência real, cita a BBC. 

“Não podemos permitir que este incidente passe apenas com avisos e comunicados de imprensa fortes”, disse Coveney à emissora irlandesa RTE.

O governo francês já anunciou que foi enviado um pedido à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para suspender os voos internacionais sobre o espaço aéreo bielorrusso.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avisou que “o comportamento ultrajante e ilegal do regime na Bielorrússia terá consequências”. “Os responsáveis pelo sequestro do avião da Ryanair devem ser sancionados” e “o jornalista Roman Protasevich deve ser libertado imediatamente”, exigiu Ursula Von der Leyen no Twitter.

O primeiro “jornalista terrorista da história” O avião que foi desviado para Minsk, na Bielorrússia, a meio de um voo entre Atenas, Grécia, e Vílnius, Lituânia, aterrou na capital lituana, mas sem o jornalista e ativista bielorrusso Roman Protasevich, e a sua namorada, Sofia Sapega. A operação terá sido levada a cabo pelos serviços de segurança bielorrussos.

O jornalista foi responsável por criar o canal Nexta na rede social Telegram e tornou-se uma das principais fontes de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, que o Presidente Lukashenko, no poder desde 1994, venceu com cerca de 80% dos votos, apesar de nas semanas que antecederam as eleições terem sido organizadas manifestações contra a sua permanência na chefia do país, com uma adesão recorde.

Em novembro do ano passado, foi emitida na Bielorrússia uma ordem de detenção contra Protasevich alegando que o jornalista estava “envolvido em atividades terroristas”. No seu Twitter pessoal, este escreveu, em tom de humor, que era o “primeiro jornalista terrorista da história”.

Protasevich viajava de Atenas para Vílnius e acabou detido pelas autoridades bielorrussas, quando os cerca de 120 passageiros do avião da Ryanair foram forçados a submeter-se a novo controlo em Minsk devido a uma suposta ameaça de bomba, alegadamente reivindicada pela organização palestiniana Hamas.

Em reação, a diplomacia bielorrussa denunciou “estas declarações apressadas e abertamente hostis”. “Há um desejo de politizar, ouvimos acusações infundadas”.

Segundo testemunhas, Protasevich expressou medo de ser executado na Bielorrússia: “Ele virou-se simplesmente para os outros passageiros e disse que enfrentava a pena de morte”, disse uma passageira à AFP. De facto, naquele país a acusação de “atividades terroristas” pode resultar na pena capital.