Internacional

Biden pede a serviços secretos para investigar origem da pandemia

O governo chinês acusou os Estados Unidos de partilharem “notícias falsas” sobre a origem do vírus.


O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu aos serviços secretos americanos para investigarem as origens da pandemia provocada pelo coronavírus, incluindo a possibilidade de que ele tenha escapado de um laboratório chinês, e exigiu que estes serviços entregassem o relatório no prazo de 90 dias.

“Os Estados Unidos continuarão a trabalhar com os seus parceiros em todo o mundo para pressionar a China a participar de uma investigação internacional completa, transparente e fundamentada em provas”, disse Biden, revelando que, apesar dos serviços de inteligência não terem conseguido chegar a uma conclusão sobre as origens da pandemia, insistiu que redobrassem os seus esforços.

A hipótese de o coronavírus ter saído de um laboratório chinês foi afastada, em fevereiro, depois de uma investigação conduzida por uma equipa internacional de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que esteve no terreno, na China.

Contudo, esta teoria voltou a receber atenção depois de o Wall Street Journal ter publicado esta semana um relatório dos serviços de informações norte-americanos entregue ao Departamento de Estado, a que a publicação teve acesso, onde era revelado que pelo menos três cientistas do Instituto de Virologia de Wuhan terão adoecido em novembro de 2019.

Esta notícia foi recebida com grande desagrado pelas autoridades chinesas. “Não houve nenhum caso de covid-19 naquele instituto no outono de 2019. A notícia é completamente falsa”, disse, na segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian. “A equipa de investigadores considerou extremamente improvável a teoria de que o vírus tenha escapado de um laboratório”, apontou, sublinhando que essa “é uma conclusão oficial, formal e científica”.

O governo chinês tem-se esforçado para limpar a imagem de caber à China a responsabilidade pela pandemia. Ainda assim, e apesar de ter permitido a entrada da equipa de investigadores da OMS, o país continua bastante fechado do resto da comunidade internacional, tendo inclusive sido acusado de colocar entraves aos especialistas.

“A campanha de difamação e acusação está de volta e a teoria da conspiração sobre uma ‘fuga do laboratório’ está a ressurgir”, declarou a embaixada chinesa nos Estados Unidos.