Opiniao

No rescaldo da visita

Falta agora que o Senhor Presidente reponha a dignidade Pátria fazendo a justiça que falta e ainda não foi dada aos combatentes portugueses e africano..

por José Manuel Pavão
Associação de Amizade Portugal Guiné Bissau

A propósito da recente visita que o nosso Presidente da República efetuou à Guiné Bissau, vêm-me à memória as palavras certeiras com que Flora Emília, fiel companheira de Agostinho, bispo de Hipona, caracterizou a vida humana:

– Breve e célere!

De fato, a visita foi breve no tempo e célere no decurso das escassas vinte e quatro horas em que Marcelo esteve em Bissau, bem de acordo com o que é visível no seu quotidiano a fervilhar energia e transbordar frenesim.

Contudo, nem a brevidade do tempo nem a celeridade no cumprimento do programa puseram em risco os objetivos a que esta visita se propunha no seu global.

A vasta multidão eufórica que ao longo de meia dúzia de quilómetros encheu a estrada entre o aeroporto e o centro da cidade gritando vivas a Portugal e que contagiou e empolgou o visitante, diz bem daquilo que profundamente nos liga não obstante os treze anos de cegueira política que nos opôs.

A Guiné Bissau é um pequeno mas curioso país, suspiro lusófono no bojo ocidental da costa atlântica, povo acolhedor e ávido de alcançar legítimas ambições onde pontuam a paz, progresso, liberdade e democracia.

Viajando na Força Aérea Portuguesa e não em voo comercial como antes nos adiantou a sua Casa Civil, causou alguma estranheza não poder contar na comitiva Presidencial os representantes do empresariado que são o verdadeiro motor do desenvolvimento ou mesmo figuras do Governo mormente nas áreas mais carenciadas neste país irmão.

Ao abrir as portas para receber e ouvir representantes dos partidos da oposição, fez bem o nosso Presidente que assim deixou um claro sinal de tolerância, bondade e proveito que o convívio político concede aos cidadãos.

Como também fez bem visitar as sepulturas honrando os mortos que de um e outro lado se bateram em defesa das suas convicções.

Falta agora que o Senhor Presidente reponha a dignidade Pátria fazendo a justiça que falta e ainda não foi dada aos combatentes portugueses e africanos, largados à sua sorte por um país que amamos e é nosso, mas não cumpriu  o seu dever histórico.

Apesar de sabermos dos esforços que no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, estão a ser feitos no sentido de facilitar e regular a mobilidade entre os países lusófonos, bom seria que no rescaldo desta visita presidencial saíssem normas precursoras para o efeito de que muito beneficiariam tantos cidadãos à procura de apurar a sua formação.

Esperançados no verdadeiro sucesso desta visita e desejosos de o poder testemunhar a breve trecho, procuremos também nós portugueses interpretar e honrar a história como nos apontou o Presidente Marcelo nas suas emocionadas palavras de agradecimento quando recebeu o maior e mais valioso galardão com que o seu homólogo Sissoco Embaló o honrou num gesto de sincero e inequívoca fraternidade e reconhecimento.