Desporto

Boavista, Rio Ave e Farense lutam pela 1.ª Liga

O Boavista falhou a aprovação do seu PER, e pode descer de divisão. O Rio Ave garante ser o emblema que, nesse caso, deve ficar na 1.ª Liga, mas os regulamentos favorecem o Farense.


Está o caldo entornado na Primeira Liga portuguesa. A Assembleia-Geral da Liga Portugal, que decorreu na quarta-feira, foi o palco de trocas de acusações e de uma luta pela permanência na Primeira Liga. Os visados foram o Boavista, o Rio Ave e, pelo meio, ainda, o Farense e o Arouca.

Os axadrezados viram indeferido o seu mais recente Processo Especial de Revitalização (PER), que data de 2018, e que já passou pela Relação, Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional. A irregularidade financeira levou até a Autoridade Tributária a avançar com ação judicial em abril deste ano, a exigir 33 milhões de euros ao clube, que, segundo sabe o Nascer do SOL, está impedido de inscrever jogadores desde janeiro de 2021, por dívidas a jogadores e treinadores e por não apresentar à Liga certidões fiscais e contributivas de situação regularizada. A situação do Boavista  deu pano para mangas e acabou com a votação a determinar a descida do clube para a Segunda Liga. Afinal de contas, segundo consta no Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portugal, «se um ou mais clubes da Liga NOS não reunirem os requisitos legais e regulamentares [...] serão relegados para a competição inferior ou delas excluídos caso não preencham os pressupostos exigíveis».

O Rio Ave logo esfregou as mãos de alegria, já que, segundo argumenta, é o clube melhor classificado de entre os despormovidos, o que lhe garante um lugar no principal escalão do futebol português, apesar de terem sido derrotados no playoff de permanência frente ao Arouca.

Ora, a realidade, no entanto, não é assim tão clara. De facto, se o Boavista for mesmo condenado a descer de divisão, fica a ambiguidade sobre se esta beneficiará o Rio Ave – que perdeu o playoff de despromoção frente ao Arouca, da Segunda Liga – ou o Farense, a equipa melhor classificada das duas que findaram a temporada na zona de despromoção. É que, segundo o regulamento da Liga Portugal, o emblema que deverá beneficiar com a descida de outro por questões legais é aquele melhor classificado «na zona de despromoção», não mencionando qualquer inclusão da equipa que tenha classificado para o playoff.

Por isso, segundo as indicações deste regulamento, e segundo garante ao Nascer do SOL fonte próxima da Liga Portugal, deverá ser mesmo o Farense a garantir a manutenção na secretaria, porque o «artigo 21.º é claro»: o número seis remete a questão para o número três e a redação deste (ver texto ao lado) não oferece dúvidas, uma vez que não faz referência ao clube que disputou o playoff  mas apenas aos «clubes classificados nos dois últimos lugares da tabela classificativa da LigaNOS».

 

FC Arouca insolvente

A ajudar à festa, o clube que disputou e venceu o playoff com o Rio Ave, o FC Arouca (que ganhou ambos os jogos, em Arouca e em Vila do Conde), está em situação de insolvência.

Com efeito, o Tribunal de Aveiro declarou a insolvência do clube daquele distrito, conforme edital que se reproduz nesta página, e que foi publicado em dezembro do ano passado.

Desta forma, o defeso promete ser mais animado do que é costume nas duas principais Ligas de futebol nacional.

Se o Boavista seguir o mesmo destino do Vitória de Setúbal e for confirmada a sua descida à 2.ª Liga, veremos quem vai mesmo sair beneficiado desta contenda que promete: Rio Ave, Farense e Arouca lutam por um lugar na Primeira Liga, cada um alegando diferentes razões, rezando pela queda do Boavista.

Pelo regulamento, o clube algarvio é quem parte em vantagem.