Viver para Contar

A braçadeira de Neuer

Tendo começado por pregar a tolerância, os lobbies gay transformaram-se em agentes agressivos, que denunciam e atacam quem lhes faça frente.


Neste campeonato da Europa, o guarda-redes alemão Manuel Neuer surgiu com uma braçadeira de capitão com as cores do arco-íris – o símbolo da comunidade LGBTI+ (que raio de sigla!).

Não sei se o homem é ou não homossexual, mas isso não interessa nada: é um assunto da sua vida privada. Pública foi a ostentação da dita braçadeira.

A UEFA instaurou-lhe um processo, como é normal – visto não se tratar de uma braçadeira regulamentar –, mas arquivou-o de imediato, perante o coro de protestos que se levantou.

O argumento foi que se tratava de propaganda a uma ‘boa causa’.

Ficámos, portanto, a saber que a UEFA permite a propaganda a ‘boas causas’. Se um jogador amanhã quiser usar uma braçadeira de apoio ao Black Lives Matter, ou aos refugiados da Venezuela, ou aos protestantes de Hong-Kong, ou às vítimas da covid na Índia, a UEFA fará o quê? Proibirá?

A UEFA, que tem muitos advogados, devia lá ter alguém com bom senso que explicasse aos confusos dirigentes que as regras se fizeram para ser cumpridas por todos – e não consoante a cor com que se apresentam.

O lobby gay está a tornar-se um problema para a democracia, pois ninguém tem coragem para o afrontar.

As organizações ligadas à homossexualidade podem fazer impunemente tudo o que lhes der na real gana, convictas de que ninguém lhes fará frente.

Tendo começado por pregar a tolerância, transformaram-se em agentes agressivos, que denunciam e atacam quem lhes faça frente.

A propaganda homossexual constitui hoje uma força temível, nacional e internacionalmente. Que o diga António Costa, que, após a aprovação na Hungria da polémica lei sobre a sexualidade, se apressou a pôr na lapela um pin com as cores do arco-íris, não fosse alguém acusá-lo de homofobia…

Devo confessar modestamente que, de início, não percebi a indignação que por aí ia contra a tal lei.

A senhora von der Leyen, habitualmente contida, considerou-a «uma vergonha».

Fui informar-me melhor, e verifiquei que a lei impede a exposição ou promoção a menores de 18 anos de temas como pornografia, pedofilia, transexualidade, homossexualidade, etc.

Mas porquê o espanto? – interroguei-me.

Nós não temos uma lei que proíbe os menores de 18 anos de assistir a certos espetáculos ou aceder a determinados conteúdos?

E alguém se insurge contra isso?

Esta questão levanta outra, muito delicada: a liberdade de cada país para aprovar livremente as leis que entender – desde que não prejudiquem os outros.

A Hungria é um país livre, com um Parlamento eleito, com instituições a funcionar, e esta lei só se refere aos seus cidadãos (e, entre estes, aos menores de 18 anos).

Dir-se-á que a Europa tem valores e todos os membros da União devem respeitá-los.

Mas isso colocar-se-ia com mais acuidade, por exemplo, em relação ao aborto ou à eutanásia, que, segundo muita gente (Igreja Católica incluída), atentam contra o valor supremo da vida.

E alguém se lembra de sancionar os países que os liberalizaram?

Julgo que a polémica acerca da Hungria residiu no facto de a proposta de lei inicial não falar de conteúdos homossexuais.

Este tema foi acrescentado posteriormente. E foi ele que entornou o caldo.

Ora, seria cínico da minha parte não admitir que aquele acrescento teve significado.

Ao juntar-se a homossexualidade à pedofilia, estava a admitir-se, no limite, que a homossexualidade pode constituir um crime.

Mas se isto é verdade, também é hipocrisia ignorar que por trás dos lóbis do politicamente correto – anti-homofóbicos, feministas radicais, antirracistas, etc. – se escondem organizações com agendas ideológicas bem definidas.

E que, por exemplo, a coberto da educação sexual nas escolas, associações LGBTI+ fazem verdadeiras lavagens ao cérebro a crianças.

Quem pode esquecer isto?

Assim, não gostando eu da palavra ‘vergonha’ usada por von der Leyen para classificar a lei húngara, talvez ela se aplicasse melhor a estas sessões.

É que não me parece razoável fazer propaganda de temas sexuais – sejam eles hétero, homo, trans, bi, ou todos os outros que fazem parte do ‘+’ da sigla – seja a quem for.

Repito: se a propaganda em si já não é boa, propagandear ‘causas’ sexuais é péssimo.

Por maioria de razão, a crianças.

Nestas ocasiões lembro-me sempre da história de O Rei Vai Nu, que o meu pai me contava amiúde e considero uma das melhores de sempre da literatura – pois vai ao âmago da natureza humana.

Convencido pelo seu alfaiate de que lhe tinha feito um fato lindo, embora só visível pelas pessoas inteligentes, um rei saiu nu à rua.

E o povo, informado sobre as características peculiares do tecido, aplaudia – não querendo passar por parvo.

Até que uma criança, na sua inocência, gritou: «O rei vai nu!».

E aí todos perderam a vergonha e começaram a gritar em coro: «O Rei vai nu!», «O Rei vai nu!».

Por vezes, sinto-me no papel dessa criança que disse uma evidência.