Sociedade

"Governo que corte nas gorduras para fazer justiça"

Elementos da PSP e GNR saíram desiludidos da reunião.


Depois de vários dias de protesto, os dirigentes dos sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR saíram desiludidos da reunião com a tutela, que decorreu ontem, sobre a atribuição do subsídio de risco. Apesar de não pertencerem a esta plataforma, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) têm marcado presença nos protestos e defendem o pagamento faseado do subsídio de risco até 2024. Em janeiro de 2022 seria pago 200 euros, em 2023 aumentava para 300 euros, fixando-se em 2024 nos 430 euros.

“Esta reunião foi para o Governo empurrar o problema com a barriga e, assim, adiar uma resposta até à próxima quarta feira”, diz em declarações ao i, António Barreira, coordenador da Região Sul da APG/GNR. “Quero dizer ao secretário de Estado que os militares da GNR e os elementos da PSP, bem como as suas famílias, juntamente com todos os portugueses fartos do estado a que chegámos, não vão demorar tanto tempo a escolher onde vão pôr a cruz nas próximas eleições Autárquicas”, frisa, adiantando que “para discutir o suplemento de risco havia necessidade de falar na reestruturação dos suplementos remuneratórios e falar da tabela remuneratória”.

O cabo do posto de Gavião, em Portalegre, deixa claro que os elementos da PSP e da GNR continuarão com os protestos e está já marcada uma nova concentração em frente do MAI na próxima quarta-feira. “Os portugueses já perceberam que para a Banca nunca falta dinheiro, mas àqueles que sacrificam a própria vida em prol do Povo e do País, só são dadas as migalhas. O Governo que corte nas gorduras do Estado para fazer justiça aos elementos da GNR e da PSP”, remata. “Vamos continuar a lutar com protestos ainda maiores”.

"Isto é um plano estratégico do MAI. E consta no seguinte: abrandar as lutas da policia porque não podemos passar a vida toda a ir a manifestações. Acabaremos por nos cansar e desistir. Estamos a entrar em agosto e vai haver muitas férias. Quando nos apercebermos, eles aprovam qualquer coisa e ficamos na mesma", contesta, a seu lado, Pedro Carmo,  presidente da Organização Sindical de Polícias (OSP). "E depois são publicadas duas linhas num jornal a dizer que o governo já deu o subsídio de risco. E, na realidade, vai dar 68 euros ou pouco mais que isso. Ainda temos a segunda fase: a revisão dos suplementos e índices salariais", indica, afirmando que a mesma se baseará "na junção do subsidio de fardamento ao vencimento". Na ótica do dirigente, "o objetivo é cansar e desvanecer a imagem de luta até para os órgãos de informação". "O dinheiro que a tutela nos ia dar é aquele que entregou à TAP e ao Novo Banco? Deve ser um décimo daquilo que lhes deram. Não temos culpa da má gestão dessas empresas".