Sociedade

José Sócrates sai em defesa de Luís Filipe Vieira. "Agora, prende-se primeiro e pergunta-se depois"

Benfica também foi alvo de críticas de Sócrates pela forma como lidou com a detenção de Luís Filipe Vieira. “Nem uma palavra de simpatia", lamentou.


José Sócrates abordou pela primeira vez a detenção de Luís Filipe Vieira e também a de Joe Berardo. Num artigo de opinião, publicado esta segunda-feira no Diário de Notícias, o antigo primeiro-ministro teceu duras críticas à Justiça portuguesa.

“Agora, prende-se primeiro e pergunta-se depois; agora, arrastam-se as pessoas para a cadeia para humilhar, para despersonalizar e para intimidar os outros - calem-se, que vos pode acontecer o mesmo”, afirmou Sócrates, sublinhando que “a detenção para interrogatório deixou de ser um dispositivo extraordinário da ação judicial para se transformar num vulgar instrumento da violência estatal”.

“O segredo de justiça há muito que se transformou em ferramenta à disposição das autoridades, usada por forma a substituir a presunção de inocência pela presunção pública de culpabilidade. Um novo tempo e uma velha cultura. Lentamente, a caminho de um estado policial”, acrescentou.

Para, o ex-chefe de Governo ainda que “o espetáculo de violência estatal” se concentre na “prisão abusiva” e na “campanha de difamação alimentada pela violação do segredo de justiça”.

“Abuso e crime, eis o comportamento institucional onde se já se vislumbra o que a senhora ministra da Justiça chamou, em artigo recente, ‘direito dos justiçáveis’”, sublinhou, referindo que “na verdade, Joe Berardo e Luís Filipe Vieira já não são indivíduos com direitos, são ‘justiçáveis’”.

O Benfica também foi alvo de críticas pela forma como lidou com a detenção de Luís Filipe Vieira. “Nem uma palavra de simpatia por quem ainda ontem era o líder da equipa. Nem uma palavra. O cadáver ainda não arrefeceu e ali só se vê cálculo e ambição e poder e oportunismo”, afirmou.

De salientar que o ex-primeiro-ministro irá ser julgado por três crimes de branqueamento de capitais e mais três de falsificação de documentos, de um total de 31 crimes de que estava acusado no âmbito da Operação Marquês.