Sociedade

Pelo menos 80 mil jovens de 16 e 17 anos já inscritos para vacinação

Vacinação entre os 12 e os 15 vai arrancar apenas para crianças com fatores de risco. OMS pede adiamento de terceiras doses a países ricos.


Cerca de 80 mil jovens de 16 e 17 anos inscreveram-se para receber a vacina da covid-19 no primeiro dia em que foi possível o agendamento, esta última terça-feira. O balanço foi feito ontem ao i por fonte oficial da task-force nacional de vacinação, reportando-se ao total de pedidos de agendamento recebidos até às 23h59 de 3 de agosto. Quase metade dos 212 mil jovens com estas idades aderiram assim à marcação no primeiro dia, sendo expectável um aumento dos pedidos de agendamento ao longo da semana. Esta quarta-feira ficou também clarificado que, para já, apenas crianças entre os 12 e os 15 anos com fatores de risco serão vacinadas no arranque da vacinação de menores de 18, marcado para o fim de semana de 14 e 15 de agosto e que vai decorrer ao longo dos fins de semana seguintes. A Direção Geral da Saúde ainda não fechou uma decisão sobre a vacinação universal de crianças, mas esclareceu que nesta primeira fase só os jovens entre os 12 e os 15 com as comorbilidades agora listadas ou prescrição médica fundamentada clínica e cientificamente terão acesso à vacina.

A dúvida tinha ficado no ar depois de, na sexta-feira, a diretora-geral da Saúde ter anunciado que devia ser dada a possibilidade de acesso à vacinação a “qualquer adolescente com 12-15 anos, por indicação médica”. Durante o fim de semana a ideia foi reforçada pelo Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que as autoridades sanitárias não tinham proibido a vacinação no caso de as crianças não terem doenças ou patologias, considerado que “esse espaço continua aberto à livre escolha dos pais”.

Na norma agora publicada pela DGS, que já tinha vindo dizer que vacinação de crianças dos 12 aos 15 só com prescrição médica, fica clarificado que não basta uma recomendação de que a criança seja vacinada. Fora da lista de doenças publicada pela autoridade de nacional de saúde, a DGS determina que só podem ser consideradas válidas pelos centros de vacinação declarações “devidamente fundamentadas, clínica e cientificamente” e emitidas por um médico “de especialidade conexa aos fundamentos clínicos”. Uma clarificação saudada ontem pela Ordem dos Médicos, que tinha alertado para o risco de desigualdade no acesso à vacina por parte dos adolescentes, recusando que o ónus de vacinar ou não crianças saudáveis ficasse na mão de cada médico sem uma orientação comum.

Prioridade a jovens com doenças Segundo a norma conhecida já na noite de terça-feira, entre os 12 e os 15 anos a recomendação é de que sejam vacinadas nesta altura crianças com neoplasia ativa – crianças a aguardar ou a fazer tratamentos oncológicos, como quimioterapia ou radioterapia. A vacina será dada também a crianças transplantadas e a aguardar transplantação, crianças com quadros de imunossupressão, doenças neurológicas graves e neuromusculares, incluindo paralisia cerebral e distrofias musculares; perturbações intelectuais graves e ainda diabetes, obesidade, doença cardíaca grave, insuficiência renal crónica ou doença pulmonar crónica, onde se incluem casos de asma grave e fibrose quística. O mapeamento destes casos vai ser feito pelas Administrações Regionais de Saúde com base nos registos de centros de saúde e hospitais e os médicos assistentes devem sinalizar crianças que sigam no privado.

A task-force indicou ao i que neste momento não há ainda uma estimativa de qual o universo de crianças com comorbilidades a vacinar com prioridade, salvaguardando que a Direção Geral da Saúde ainda não tomou uma posição final sobre a vacinação dos jovens dos 12 aos 15, que está planeada para decorrer a tempo de as segundas doses serem dadas antes do início das aulas. Ao todo, há cerca de 409 mil jovens em Portugal entre os 12 e os 15 anos. No caso de crianças com fatores de risco, a marcação poderá vir a acontecer por sms, em caso de convocatória, auto agendamento mediante declaração ou ambos.

Quanto à necessidade de uma terceira dose, ainda não há um parecer fechado na comissão nacional de vacinação. Segundo o i apurou, está a ser avaliada para grupos mais vulneráveis, mas sem um calendário fechado. Ontem a Organização Mundial de Saúde apelou aos países que adiem esse processo até pelo menos 10% da população de todos os estados estar vacinada, algo já rejeitado pelos Estados Unidos. Ainda há 87 países abaixo desse patamar, incluindo Índia ou Moçambique.