Economia

Mercado de Trabalho dá sinais de recuperação

A taxa de desemprego caiu e o emprego atingiu os níveis pré-pandemia. Analistas ouvidos pelo Nascer do SOL dizem que números são positivos mas que ainda é cedo para tirar conclusões.


A taxa de desemprego fixou-se, entre abril e junho, em 6,7%, um valor que representa menos 0,4 pontos percentuais (p.p.) do que nos primeiros três meses do ano, mas mais um ponto percentual do que no período homólogo de 2020.

Os números, avançados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são positivos até porque, consequentemente, o emprego subiu e ultrapassou o patamar registado no segundo trimestre de 2019, o nível pré-crise.

Ao Nascer do SOL, Mário Martins, analista da ActivTrades, lembra que «uma redução da taxa de desemprego é, em princípio, sempre um indicador positivo, contudo tal como de costume o diabo pode estar nos detalhes», diz acrescentando que, no entanto, «há que destacar o facto do valor ainda estar bem acima do nível desejado de desemprego para o patamar do ‘pleno emprego’, que se situa abaixo dos 4%».

Já Henrique Tomé, analista da XTB, não tem dúvidas de que estes dados da taxa de desemprego «demonstram que o mercado de trabalho começa a dar sinais de forte recuperação, apoiado pelo alívio das medidas de restrição e de mobilidade». Ao Nascer do SOL, o analista acrescenta ainda que «estes dados dão também boas perspetivas sobre a recuperação da atividade económica no país».

Quanto à população empregada, que atingiu um número recorde – 4,8105 milhões de pessoas no segundo trimestre –, Mário Martins defende que «a recuperar estamos», mas «resta aferir nos próximos meses e anos o grau dessa recuperação, nomeadamente com o impacto do Plano de Recuperação e Resiliência».

Para Henrique Tomé, «estes dados são animadores», mas «ainda é cedo para tirar tais conclusões». Isto porque, defende, «não devemos ignorar o facto de estarmos numa época em que há vários trabalhos sazonais e a evolução da pandemia ainda não está completamente controlada».

 

Apoios contribuíram

Quem se mostrou satisfeito com os números foi o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, para quem «os resultados são impressionantes». Para Siza Vieira, «a capacidade de criação de emprego é um sinal de vitalidade da economia».

Mas serão números assim tão impressionantes? É que, no entender de Henrique Tomé, «a economia continua fragilizada». No entanto, «os próximos meses, apesar de desafiadores, serão importantes para percebermos o estado da economia nacional».

Mas também o Ministério do Trabalho garante que o facto de o emprego ter atingido o valor mais alto da última década mostra «a capacidade coletiva de resposta à crise provocada pela pandemia por covid-19». Para Ana Mendes Godinho, «estes números mostram, uma vez mais, que os apoios extraordinários que foram criados para apoiar as empresas e o rendimento dos trabalhadores foram fundamentais para preservar o emprego durante a crise provocada pela pandemia».

Podem estar os apoios do Governo a mascarar os números reais? «Se por um lado os apoios criados foram imprescindíveis, não sendo no entanto os suficientes, por outro criaram um nível de desemprego fictício, que dificilmente é quantificável até à normalização da situação», diz ao Nascer do SOL Mário Martins.

Já Henrique Tomé não tem dúvidas de que os apoios dados pelo Governo «contribuíram para estes números». E acrescenta que «a época de Verão também tem contribuído para a recuperação do mercado de trabalho». Destaque para os setores do turismo e restauração que «têm ajudado bastante, sendo que, muitos trabalhos poderão ser apenas sazonais».

 

Sazonalidade

Questionados sobre se o verão e o crescimento das atividades turísticas e da restauração poderá ter impulsionado o aumento da taxa das pessoas empregadas, os analistas garantem que sim. Mas que análise fazem dos dados deste ano face a anos anteriores?

O analista da ActivTrades explica que «este ano não se verificou a procura habitual por trabalhadores, devido aos constrangimentos no setor do turismo» mas diz que é preciso realçar «a falta de mão-de-obra disponível para preencher as necessidades».

Para Henrique Tomé, o ano passado foi atípico devido às restrições mas, este ano, apesar de ainda existirem, «o balanço é francamente positivo». E justifica: «Muitos portugueses também têm optado por fazer férias em Portugal e isso promove também a atividade económico do país. Por outro lado, os estrangeiros continuam a ver o nosso país como um país de eleição e, embora ainda estejam presentes algumas restrições e limitações».