Internacional

Afeganistão. Guarda morto no aeroporto mais caótico do mundo

Um guarda afegão foi morto numa troca de tiros entre as forças de segurança afegãs, americanas e alemãs e um grupo não identificado.


Um tiroteio entre forças de segurança afegãs, americanas e alemãs contra atacantes não identificados, no aeroporto de Cabul, provocou a morte de um guarda afegão e outros três feridos.

A troca de balas, que decorreu no portão norte do aeroporto às 7h da manhã (fuso horário de Cabul), teve lugar depois das forças de segurança afegãs, que anteriormente funcionavam como o exército do país, dispararem contra os atacantes. A principal função destas forças de segurança é proteger o aeroporto de Cabul.

“Houve uma troca de tiros entre guardas afegãos e atacantes não identificados na porta norte do aeroporto de Cabul. Um guarda afegão morreu e três ficaram feridos”, anunciou o exército alemão, através do Twitter, acrescentando ainda que os soldados alemães e norte-americanos “também dispararam posteriormente”.

Esta situação, cuja origem ainda não foi possível determinar, veio revelar a frágil situação da segurança neste local, escreve o Guardian.

O aeroporto de Cabul tem sido cenário de um enorme caos após os talibãs terem conquistado a capital afegã, no dia 15 de agosto, com uma onda massiva de pessoas que pretende abandonar o país com receio do poderio do grupo extremista.

A comunidade internacional está a tentar evacuar os seus cidadãos que se encontravam imigrados no Afeganistão, assim como afegãos que pretendem abandonar o país. No entanto, a tarefa tem sido bastante complexa.

No sábado, sete civis afegãos morreram esmagados na multidão perto do aeroporto internacional de Cabul, no meio do caos dos que tentam fugir da tomada de poder pelos talibãs.

Talibãs mantêm prazo para retirada de tropas Os talibãs informaram entretanto que uma extensão da missão para evacuar cidadãos para o estrangeiro, e que deve acontecer até dia 31 de agosto, foi recusada, disse um porta-voz talibã, Suhail Shaheen, à Sky News, acrescentando que essa decisão significaria uma “extensão da ocupação” e isso é uma “linha vermelha”. Caso isso aconteça, “haverá consequências”, avisou Shaheen.

“É uma linha vermelha. O Presidente Joe Biden anunciou que a 31 de agosto retiraria todas as tropas norte-americanas. Portanto, se ele prolongar esse prazo, significa que está a prolongar uma ocupação que já não é necessária”, frisou Suhail Shaheen, que fez questão de dizer que o grupo extremista islâmico não está disponível para discutir um prolongamento das tropas dos EUA ou do Reino Unido no país.

“Se os Estados Unidos ou o Reino Unido quiserem mais tempo para continuar com a evacuação, a resposta é não. Ou haverá consequências”, apontou Shaheen ao canal de televisão britânico.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, revelou este sábado que esperava que as operações de evacuação em Cabul estivessem concluídas até ao prazo estabelecido, no entanto, deixou a porta aberta para um adiamento. “Há discussões sobre a extensão. A nossa esperança é de que não tenhamos de o fazer”, disse Joe Biden, admitindo que a situação ainda é perigosa e que “muitas coisas podem correr mal”.

Ainda não é claro se vão continuar a acontecer voos internacionais para entrar e abandonar o país assim que as forças internacionais abandonem o controlo do aeroporto, escreveu a BBC.