Brilhante ou Frustrante?

Modelar

Copiar os resultados do Cristiano Ronaldo, não significa replicar aquilo que mais se observa, mas sim aquilo que menos se vê: as horas de treino, a consistência da sua alimentação e exercício físico, a postura positiva, o respeito pelos adversários, entre muitos outros aspetos


Uma das principais razões pelas quais um qualquer indivíduo é bem-sucedido, o que quer que signifique para si, é a sua disposição para perseguir aquilo que mais deseja, em detrimento do que mais quer hoje, agora. Como consequência, nada é mais necessário do que a consistência do método usado durante todo o processo.

Pela mesma lógica com que se vai de férias para o Algarve por caminhos já desbravados e conhecidos, também o leitor pode chegar a uma qualquer outra meta, replicando o processo de alguém que já o tenha feito, apesar da maior complexidade. Vejamos: se quiser ser um empresário de excelência, é uma boa ideia desenvolver as competências de Rui Nabeiro e perseguir uma tomada de decisão coerente com as mesmas.

Na minha opinião, este método frequentemente referido como ‘Modelagem’, requer três condições para surtir efeito: um bom conhecido do sujeito modelado, a modelagem do método (nunca do resultado) e a disposição para habitar frequentemente zonas de desconforto.

Primeiramente, modelar alguém requer, salvo a redundância, um bom modelo. Quer-se com isto dizer que, para além da identificação do modelado, é necessário um conhecimento aprofundado do mesmo, na medida das suas posturas, valores, conhecimentos, percurso, decisões tomadas, estratégias, entre outros. O leitor sabe que se encontra no ponto “rebuçado” dessa informação quando se sente seguro em relação a que decisão seria tomada pelo modelado no seu lugar, sem margem para dúvidas.

Num segundo momento, a mais difícil das fases: replicar o processo. Copiar, no melhor dos significados, os resultados do Cristiano Ronaldo, não significa replicar aquilo que mais se observa (a roupa que veste, os carros que conduz, os festejos característicos), mas sim aquilo que menos se vê: as horas de treino, a consistência da sua alimentação e exercício físico, a postura positiva, o respeito pelos adversários, entre muitos outros aspetos.

Por último, é inevitável concluir que, fruto de processos diferentes darem origem a resultados também eles diferentes, modelar alguém implica mudar o paradigma atual. É necessário, por essa mesma razão, que o leitor aceite que pode passar por momentos temporariamente instáveis rumo ao novo ponto de equilíbrio; o seu círculo social e profissional poderá mudar; e poderá precisar seriamente de rever as prioridades e objetivos pelos quais se rege (para melhor, julgo).
Claro é que o leitor, na medida do que entenda, pode recorrer a diferentes modelos para as distintas áreas da sua vida (profissional, pessoal, familiar, espiritual). O céu é o limite no que toca a extrair o melhor sumo dos vários frutos possíveis.

Em última instância, faz a diferença a entrega e vontade de qualquer que seja o indivíduo ao seu desenvolvimento, na medida da consistência com que replica o método e não o resultado. Não é o brinco na orelha ou o número sete na camisola que o farão marcar os golos da sua vida. Uma coisa é certa: seguir um modelo é garantir que, seguindo o processo, o resultado é garantido. Melhor investimento do que em si, neste sentido, é difícil de encontrar.