Internacional

Obesidade infantil agravou-se nos EUA desde o início da pandemia

Tendo por base dados relativos ao IMC de crianças e jovens do sul da Califórnia, os investigadores percecionaram que estes aumentaram de peso.


Um estudo publicado no Journal of the America Medical Association (JAMA) revelou, na passada sexta-feira, que “os jovens ganharam mais peso durante a pandemia de covid-19 do que antes da mesma”. A maior mudança ocorreu entre as crianças de 5 a 11 anos, que viram o Índice de Massa Corporal (IMC) aumentar 1,57 e a prevalência de obesidade crescer de 36,2% para 45,7%.

“Changes in Body Mass Index Among Children and Adolescents During the COVID-19 Pandemic” (Mudanças no IMC Entre Crianças e Adolescentes Durante a Pandemia de Covid-19) foi realizado com base num estudo de dados relativos à saúde da população mais jovem do sul da Califórnia, sendo que aqueles com idades compreendidas entre os 5 e 17 anos com cobertura contínua de cuidados de saúde foram incluídos se tivessem uma visita pessoal com pelo menos uma medição de IMC antes da pandemia (março de 2019 - janeiro de 2020) e outra durante a pandemia (março de 2020 - janeiro de 2021 com pelo menos uma medição após 16 de junho de 2020, ou seja, cerca de três meses depois do surgimento do novo coronavírus). Jovens com condições crónicas complexas foram excluídos.

Além das crianças entre os 5 e os 11 anos, o IMC aumentou noutras idades: 0,91 entre 12 e 15 anos de idade e 0,48 entre 16 e 17 anos ou mais velhos. Conclui-se que as crianças entre os 5 e os 11 anos aumentaram, em média, 2,30 kg, as de 12-15 anos ganharam 2,31kg e entre os 16 e os 17 anos ocorreu um aumento de 1,03kg.

Consequentemente, o excesso de peso ou a obesidade aumentou entre as crianças de 5 a 11 anos de 36,2% para 45,7% durante a pandemia, um aumento absoluto de 8,7% e um aumento relativo de 23,8% em comparação com o período pré-pandémico. O aumento absoluto no excesso de peso ou obesidade foi de 5,2% entre os jovens de 12 a 15 anos (aumento relativo de 13,4%) e 3,1% (aumento relativo de 8,3%) entre os de 16 e 17 anos. 

“A investigação deve monitorizar se o ganho de peso observado persiste e quais são as consequências que podem surgir a longo prazo para a saúde. Podem ser necessários esforços de intervenção para lidar com o ganho de peso relacionado com a covid-19”, concluíram os autores.