Sociedade

50% das trabalhadoras do serviço de limpeza com medo de contrair covid-19

Entre 3 de novembro de 2020 e 17 de maio de 2021, estas trabalhadoras participaram em questionários presenciais que se dividiram em cinco grupos: condições de saúde, atitudes preventivas, perceção da pandemia, condições de trabalho e dados sociodemográficos. Para além de 50% destas mulheres sentirem que a profissão as coloca em risco de contrair covid-19, à sua vez, 62% sentiram-se agitadas e facilmente alarmadas.


Metade das trabalhadoras do serviço de limpeza sente que a profissão as coloca em risco de contrair covid-19. Esta é uma das conclusões de um estudo coordenado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), que envolveu 436 profissionais deste setor.

“É uma profissão que continua a ser socialmente muito desvalorizada. Estas mulheres estão na base da hierarquia das profissões, apesar de desenvolverem um trabalho em setores críticos para a existência em termos de saúde pública”, explicou, em declarações à agência Lusa, a investigadora Isabel Dias.

Este estudo teve o objetivo primordial de “mapear as dificuldades sentidas pelas trabalhadoras dos serviços de limpeza durante a pandemia da covid-19”. Para isto, foram inquiridas 436 mulheres da região Norte, a maioria com idades compreendidas entre os 51 e 60 anos, que exerciam a sua atividade nos dois hospitais da cidade do Porto, nas faculdades da Universidade do Porto, em grandes superfícies comerciais, setores da justiça e segurança e empresas que gerem as redes de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Entre 3 de novembro de 2020 e 17 de maio de 2021, estas trabalhadoras participaram em questionários presenciais que se dividiram em cinco grupos: condições de saúde, atitudes preventivas, perceção da pandemia, condições de trabalho e dados sociodemográficos. Para além de 50% destas mulheres sentirem que a profissão as coloca em risco de contrair covid-19, à sua vez, 62% sentiram-se agitadas e facilmente alarmadas.

Compreendeu-se igualmente que 22% referiram sofrer ataques de pânico, 61% sentiram-se mais cansadas e 61% apreensivas com a possibilidade de não terem cuidados médicos em caso de necessidade. Ainda foi possível percecionar que a maioria destas profissionais utilizou sempre máscara e lavou as mãos com frequência, mas somente 47% conseguiram manter as normas de distanciamento social entre colegas.