Sociedade

Covid-19. Casos aumentam nos mais velhos e internamentos sobem

Marcelo afasta novo confinamento. Na última semana, diagnósticos voltaram a disparar 48% e número de mortes subiu de 56 para 74.


Na última semana os diagnósticos de covid-19 em Portugal voltaram a aumentar 48%, um crescimento idêntico ao da semana anterior, mas há uma diferença na forma como os grupos etários estão a ser afetados. Se na semana anterior o aumento de casos na população com mais de 80 anos era muito mais ténue do que nos grandes grupos etários, na casa dos 6%, na última semana regista-se um aumento de 22% nos diagnósticos neste grupo etário, com perto de 500 casos diagnosticados. Também no grupo entre os 70 e 79 anos houve uma subida de 69% nos diagnósticos face à semana anterior, superior ao aumento médio de casos, chegando a 1231 novos diagnósticos.

Os dados desagregados por faixa etária pela Direção Geral da Saúde, que o i analisou, revelam que houve um total de 3303 novos diagnósticos em pessoas com mais de 60 anos, quando na semana anterior tinham sido 2187. Estes são os grupos etários em que desde o início da pandemia se regista maior letalidade e onde têm vindo a público receios com o desvanecimento da proteção conferida pelas vacinas, feitas pela maioria dos idosos no início do ano e cujo reforço está ainda longe de ser total – a conclusão da terceira dose na população com mais de 65 anos, para já abrangida, é esperada antes do Natal.

Na última semana, apesar do aumento de infeções em idosos ser até aqui mais modesto do que noutros grupos etários, os dados da Direção Geral da Saúde mostram que aumentou o número de óbitos, de 56 mortes associadas à covid-19 na semana anterior para 74 mortes na semana que terminou este domingo, com a mortalidade com tendência a aumentar com o aumento da incidência na população mais velha.

País já passou limiar dos 240 casos por 100 mil habitantes Embora o boletim da DGS ainda não o reflita, por haver um maior desfasamento na consolidação do indicador, com os diagnósticos reportados no fim de semana o país já entrou no patamar de risco elevado situado pelos peritos que dão apoio ao Governo na linha de incidência dos 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. O cálculo feito pelo i revelava ontem uma incidência de perto de 250 casos por 100 mil habitantes a nível nacional, sendo a situação mais problemática o Algarve, onde a incidência está acima de 500 casos por 100 mil habitantes, com a infeção com o dobro da força que se regista no resto do país e já em risco muito elevado.

Outro indicador com evolução negativa são os internamentos, que deram um salto de 33% na última semana, um pouco superior ao da semana anterior. Mesmo pesando que os internamentos costumam diminuir no início da semana, por serem dadas menos altas ao sábado e domingo, há agora mais 150 doentes internados do que havia há sete dias, superando de novo os 600. A este ritmo de crescimento das hospitalizações, na próxima semana poderão estar hospitalizados no SNS mais de 800 doentes com covid-19, já acima do que apontavam as projeções feitas há algumas semanas pela Universidade de Washington.

Na reunião do Infarmed, Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, apresentou modelações mais centradas na ocupação de cuidados intensivos que levaram o INSA a concluir que se não houver uma adesão de 99% dos idosos com mais de 65 anos elegíveis para reforço da vacinação antes do Natal, em janeiro e fevereiro o número de doentes em cuidados intensivos voltará a superar o patamar de 255, definido pelos intensivistas como limite para não ser afetada a resposta a outros doentes. Neste momento, a chegada da terceira dose aos maiores de 65 anos é ainda inferior a 50%, sendo que no Algarve, a região com menor adesão, rondava na semana passada os 27%.

Esta terça-feira, depois de ouvidos os peritos, o primeiro-ministro reúne com os partidos para analisar a situação e medidas a implementar, o anúncio esperado no conselho de ministros de quinta-feira. Esta segunda-feira, o Presidente da República afastou um novo confinamento, considerando que a situação atual não tem comparação com a de há um ano. Há um ano o país contava mais de 70 mortes diárias associadas à covid-19 e mais de três mil doentes internados. A diferença, foi também notado na reunião do Infarmed, é que havendo agora menos severidade, na altura os casos estavam a diminuir fruto de restrições e agora continuam a subir exponencialmente.