No meio de nós

Um Natal diferente...

Perdeu-se a magia de uma história tão humana quanto a humanidade dos homens, como é a história de Jesus. Aliás, até nem sei se existe humanidade hoje… tudo é mágico!


A maioria dos que me estão a ler neste momento deverão ter mais de quarenta anos e, seguramente, devem-se lembrar dos natais de outrora em que metíamos os sapatos debaixo da chaminé e o menino Jesus descia, durante a noite, para deixar uma prenda. De manhã, levantávamo-nos de repente para saber se o menino nos tinha deixado alguma coisa.

Era assim, na minha infância! 

Lembro-me tão bem como se fosse hoje de deixar os sapatos ao lado do fogão para ver se caia alguma coisa!
Depois, a certa altura, começaram as famílias a juntar-se para celebrar a consoada. Todos juntos, com bacalhau e couves, reuníamo-nos e o centro já não era o menino Jesus que descia pela chaminé. O centro era a árvore de Natal que tinha, inicialmente, uns brinquedos, mas mais tarde, a mesma Árvore estava decorada com envelopes cheios de dinheiro para as prendas dos primos.

Lembro-me, era criança, de descer a rua com a minha mãe e ir à padaria e comprar uma árvore a sério – um pinheirinho. Era um espetáculo! Eu nunca queria desmanchar a árvore de Natal com as luzes…

Ansiava por meter mãos à obra e fazer o presépio, com umas imagenzinhas pequeninas, toscas… típicas portuguesas e que hoje se podem adquirir na Vida Portuguesa, em Lisboa!

Era lindo! Tinha uma ponte e todos os anos me lembro de fazer um rio debaixo da ponte com papel de alumínio. Ia ao musgo para fazer os campos. 

As coisas evoluíram… e bem! Aliás, quem não admirará os progressos deste século!
Hoje parece mais que estamos no Carnaval do que no Natal. É tudo mágico e fantasioso! Parece que saímos de conte de histórias de fadas… 

Perdeu-se a magia de uma história tão humana quanto a humanidade dos homens, como é a história de Jesus. Aliás, até nem sei se existe humanidade hoje… tudo é mágico!

Aquela história que eu tenho gravada na minha memória era a história de um menino que teve de nascer num estábulo, deitado numa manjedoura, porque não havia lugar para os pais na hospedaria e que, de seguida, mais vieram para matar os meninos e Maria e José tiveram de se refugiar no Egito para salvar Jesus. 

A história do presépio, na realidade, é a história de milhares de mulheres e de homens do nosso século que não encontram lugar para si e que têm de se refugiar para fugir dos homens maus. É a história dos refugiados e dos pobres do nosso século.

A história que é contada pelo presépio é, na realidade, a história que ilumina a nossa história, que lhe dá sentido e a renova. O presépio diz-nos que podemos ser pobres, sofrer, fugir dos maus e ser refugiados, que se aceitamos o Messias, que é Jesus Cristo, se fará ecoar dentro de nós a esperança: «Nasceu-vos hoje na cidade de Belém um salvador que é Cristo Senhor»!

Este ano, mais uma vez, vamos estar mais separados, ou não!!! Alguns ficarão sozinhos! A maioria vai arriscar… mesmo que tenha de pagar a fatura no mês de janeiro e de fevereiro.

Mas não tenho dúvidas: haverá este ano muitas mais pessoas sozinhas, nas suas casas, agarradas à televisão a ver o Big Brother! Muitos até se esquecerão que é noite de Natal…

Talvez seja a oportunidade para todos nós de nos lembrarmos, de verdade, que é Natal e porque é que é Natal! Talvez seja a noite de nos sentarmos à mesa e voltarmos a ouvir os cânticos tradicionais de natal, que embalam o Deus menino. 

Talvez seja a altura de nos voltarmos, novamente, para aquilo que é essencial na nossa vida. E o que é essencial na nossa vida? Saber que Deus nos vai visitar este ano e que se tornará presente no meio de nós.

Na realidade, já não estamos sozinhos… Porque, como diz o profeta, Deus visitou o seu povo!

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