Economia

BdP. Bancos deram 68,7 milhões por dia em novembro

A maioria teve como destino o crédito à habitação. Banco central já tem alertado para riscos em caso de aumento do desemprego e quebras de rendimento. 


Os bancos registaram 2061 milhões de euros de novos empréstimos aos particulares em novembro. Os dados foram divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) e maioria destinou-se para a compra de casa. Feitas as contas, o sistema financeiro emprestou 68,7 milhões de euros por dia.

Deste total, 1353 milhões de euros tiveram como finalidade a habitação. Trata-se do valor financiado mais elevado desde julho e é o 9.º mês consecutivo que os bancos emprestam mais de 1200 milhões de euros em novo crédito para a casa.

Desde o início do ano, os bancos emprestaram 13773 milhões de euros para aquisição de habitação, um novo máximo desde 2017, altura em que foram concedidos mais de 17 mil milhões de euros para a casa.

De acordo com os mesmos dados, 459 milhões de euros tiveram como destino o consumo, o que representa um aumento face aos 412 milhões emprestados em outubro e 248 milhões de euros para outros fins – no mês anterior esse valor tinha atingido os 207 milhões.

Quanto à taxa de juro média dos novos empréstimos, no consumo verificou-se uma descida para 6,59%. Já na habitação, a taxa de juro média subiu para 0,83%, “acompanhando a evolução da Euribor a 12 meses, indexante mais utilizado no crédito à habitação”, indica o supervisor da banca.

Em relação às empresas, o montante de novos empréstimos concedidos em novembro aumentou 236 milhões de euros, para 2620 milhões, dos quais 55% corresponderam a empréstimos de montante igual ou inferior a um milhão de euros.
Segundo os dados do banco central, a taxa de juro média dos novos empréstimos a empresas desceu para 1,95%, valor abaixo dos registados em outubro de 2021 (2,09%) e em novembro de 2020 (1,99%). 

Ainda em novembro, o montante de novos depósitos de particulares foi de 3497 milhões de euros, mais 88 milhões do que no mês anterior. 

Alertas

Estes aumentos de concessão de crédito têm vindo a soar alarmes junto do Banco de Portugal. No último Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pela entidade liderada por Mário Centeno já apontava para a subida do rácio de endividamento dos particulares em relação ao rendimento disponível, “sobretudo decorrente do crescimento do crédito à habitação, que afetaria a resiliência financeira” das famílias em caso de aumento do desemprego e consequentes quebras de rendimento. 

O BdP acenou ainda para “perturbações da atividade das sociedades não financeiras [empresas] com impacto no incumprimento e materialização do risco de crédito, em particular nos setores mais afetados pela pandemia”.
Já especificamente para o setor bancário, o supervisor alerta para a “deterioração da qualidade dos ativos e materialização do risco de crédito”, salientando a “importância de um adequado registo de imparidades para crédito”.

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