Opiniao

A pandemia no património edificado

Que lições temos aprendido com a pandemia e que podem ser transferidas para o património edificado e a construir? O que pode ser feito para aumentar a resiliência dos edifícios coletivos? Deverão as normas serem alteradas para futuras construções? Que investigação científica está a ser feita para se criarem novos padrões?

A pandemia no património edificado

Por Elói Figueiredo, diretor da Licenciatura e Mestrado em Engenharia Civil da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

A pandemia da covid-19 tem transformado a nossa forma de vida. O risco de ameaças emergentes de doenças infecciosas aumenta com a urbanização, a globalização, as alterações climáticas e com futuras guerras biológicas.

Para epidemiologistas, a covid-19 é o culminar de um número crescente de epidemias nas últimas décadas, como gripe aviária, Ébola, MERS, SARS e Zika. Para engenheiros, a pandemia tem demonstrado a necessidade de adaptarmos as nossas construções para controlar a disseminação dessas doenças e mitigar as perdas económicas e de confiança da população. Os recintos desportivos, os espaços religiosos, as escolas e os hospitais aproximam as pessoas e aumentam o risco de contágio. 

Que lições temos aprendido com a pandemia e que podem ser transferidas para o património edificado e a construir? O que pode ser feito para aumentar a resiliência dos edifícios coletivos? Deverão as normas serem alteradas para futuras construções? Que investigação científica está a ser feita para se criarem novos padrões?

Durante as várias fases da pandemia, de uma forma geral verificamos que os padrões de transporte se transformam à medida que as quarentenas se prolongam e a economia desacelera. As necessidades de água, energia e telecomunicações mudam, criando desafios para a infraestrutura existente. Fatores ambientais para a saúde pública, incluindo a qualidade do ar e da água, são colocados em causa. Aos edifícios exigem-se espaços para as pessoas circularem de forma segura. 

No caso particular dos edifícios, num artigo recente publicado na revista Civil Engineering (ICE), verificam-se já algumas tendências para: ajustar práticas e procedimentos de segurança e saúde para proteger trabalhadores; projetar vias de circulação para evitar ou minimizar o contacto entre as pessoas; promover o acesso e a entrada nas instalações sem necessidade de contacto; melhorar a ventilação dos espaços fechados; e ajustar regimes de operação, limpeza e manutenção de instalações para minimizar o risco de contaminação.

A covid-19 está a testar as construções e os sistemas de funcionamento da sociedade. Muitas lições estão ainda a ser aprendidas da forma mais difícil e através de uma experiência natural. Sabemos que fechar os edifícios não deve ser a resposta padrão quando houver uma nova pandemia. Também sabemos que as mudanças no mundo da construção civil são geralmente lentas, mas a investigação, regulamentação, reabilitação e construção irão certamente incorporar medidas para melhorar a capacidade de resposta da sociedade face aos riscos para a saúde pública induzidos por novas pandemias.

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