Internacional

A fotografia de Samora com um espião do KGB

Imagem captada em outubro de 1986 fica para a História. Mostra o Presidente de Moçambique, Samora Machel, poucos dias antes do acidente aéreo que o vitimou. A seu lado, um jovem oficial do KGB: Vladimir Vladimirovitch Putin.

A fotografia de Samora com um espião do KGB

1986 caminhava para o final. No ano anterior, Samora Machel, Presidente de Moçambique desde a independência, fora recebido por Ronald Reagan na Sala Oval, o que certamente não caíra bem entre os socialistas mais convictos. Dizia-se que Moçambique estaria em risco de sair da esfera de influência soviética.

Quando a fotografia abaixo foi captada, restavam a Machel uns meros quatro ou cinco dias de vida. Em breve, na noite de 17 de outubro daquele ano de 1986, o Tupolev Tu-134 cedido pela União Soviética (e pilotado por um russo) despenhava-se em Mbuzini, África do Sul, quando regressava de Lusaka.

Alguns, como Jacinto Veloso, antigo ministro e destacado dirigente da Frelimo, atribuíram o acidente a uma conspiração conjunta dos serviços sul-africanos e do KGB, tese reforçada pelo facto de não ter havido avaria mecânica. O piloto teria sido induzido em erro por um aero-farol que o atirara contra os montes Libombos.

Outros, como José Milhazes, disseram que a queda da aeronave se deveu a falha humana dos russos, talvez alcoolizados.

Certo é que a fotografia, captada poucos dias antes do acidente, mostra ao lado de Machel um empenhado oficial dos serviços secretos soviéticos. O então tenente-coronel Vladimir Vladimirovitch Putin tinha 34 anos acabados de fazer.
Preocupada com o rumo de Moçambique, a URSS vigiava atentamente o Presidente – e havia boas razões para isso.

Segundo Veloso, Machel teria certa vez respondido às dúvidas sobre a lealdade do país africano expressadas pelo embaixador soviético com um pouco diplomático: «Vai à merda!». De resto, o líder moçambicano era conhecido pelas suas tiradas politicamente incorretas. José Cutileiro conta dele: «Disse-me um dia, a propósito dos cooperantes que vinham agora da URSS, dos países de Leste, da Escandinávia, dos Estados Unidos: ‘Vocês tratavam-nos como pretos. Estes gajos tratam-nos como macacos’».

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