Opiniao

Congresso do PSD: Quando os astros se alinham

Não é o país que interessa e que ocupa a cabeça de quem nos governa; não são os problemas dos portugueses que ocupam os dias de quem se comprometeu a resolvê-los. É, pelo contrário, o PS, as suas intrigas e o seu futuro enquanto partido de poder que interessam a quem governa e é isto e apenas isto que condiciona o estado das coisas. É isto que os ocupa. É isto que os consome.

Congresso do PSD: Quando os astros se alinham

por João Rodrigues
Advogado, Vereador do Urbanismo e Inovação da CM de Braga

Independentemente das considerações que possamos tecer acerca do longo tempo que demorou todo o processo de transição da liderança do PSD, é indesmentível que parece que os astros se alinharam para o momento em que o 40.º Congresso do partido se realiza: o Governo, o PS e o caos, mais uma vez, aos olhos de todos, e para prejuízo de Portugal e dos portugueses, misturam-se, confundindo-se, e o PSD tem, já este fim de semana, a oportunidade de dar mais um claro sinal ao país de que representa o oposto de tudo isto e que é a alternativa de que o Portugal precisa.

O triste episódio proporcionado, esta semana, por António Costa e por Pedro Nuno Santos, com contornos de amadorismo, irresponsabilidade e até de alguma loucura, é a maior demonstração de que está mesmo tudo – digamo-lo em singelo - ao contrário e de que a agenda que é imposta aos portugueses pelo PS é a da desordem, da falta de rumo e do desespero impregnado nos jogos de poder dos socialistas, que fazem do Governo e da ação governativa um jogo de forças entre protocandidatos à sucessão do líder socialista, que, acossado, lhes procura resistir.

Percebemos, mais uma vez, que não há norte nem, tampouco, há timoneiro. Senão, em que país do mundo civilizado uma opereta destas aconteceria? Pior: em que país (e aqui já podemos incluir os não-civilizados) é que um ministro se presta a um papel destes sem que, com este desfecho, se demita, tamanho o vexame por que passou; ou, mais ainda: em que país do mundo é que tudo isto acontece sem que o ministro seja demitido, por imperativos mínimos de dignidade e de respeito de quem tem a obrigação de o liderar e o poder de o mandar embora? O Governo – este Governo que já tem 7 anos e não apenas 3 meses – bateu mesmo no fundo e, com ele, empurra também o país.

Não é o país que interessa e que ocupa a cabeça de quem nos governa; não são os problemas dos portugueses que ocupam os dias de quem se comprometeu a resolvê-los. É, pelo contrário, o PS, as suas intrigas e o seu futuro enquanto partido de poder que interessam a quem governa e é isto e apenas isto que condiciona o estado das coisas. É isto que os ocupa. É isto que os consome.

O problema, como alguém já disse, é que Costa manda no Governo, mas não manda no PS. E Pedro Nuno, esse, manda numa boa parte do PS mas está longe de mandar no governo. Ora, esta submissão mútua que lhes é imposta, esta confusão entre a missão que foi confiada ao PS pelos portugueses e aquilo que só ao próprio partido interessa, nunca resultou, não resulta e não resultará, com os desastrosos resultados que já conhecemos e que se agudizaram nos últimos meses, maxime, na Saúde, com a ministra Marta Temido a arrastar-se penosamente no governo por razões que a razão certamente desconhece, tamanho o desmazelo a que foi vetado o SNS, noutros tempos tão caro ao PS.

Portugal, a cada dia que passa com o PS à frente do Governo, ocupa, de forma cada vez mais acentuada, um lugar na cauda da Europa e o PSD e o seu novo líder têm a obrigação de terminar com isto.

Os comentários estão desactivados.