Internacional

Primeiro dia de Liz Truss marcado por manifestação climática em Westminster

A recém-indigitada primeira-ministra britânica começa o seu mandato com uma manifestação do grupo de ativistas Animal Rebellion que apela às mudanças na indústria agrícola e ao apoio destas comunidades que estão a sofrer graves impactos na produção devido às alterações climáticas e às dificuldade com a mão-de-obra sazonal. 


O primeiro dia de Liz Truss como primeira-ministra do Reino Unido ficou marcado por uma manifestação climática em Westminster, que manchou as ruas com tinta branca, com intuito de representar leite e a “destruição e crueldade da indústria leiteira”.

O protesto foi liderado pelo grupo ativista Animal Rebellion que, sob o lema “Futuro com base em plantas”, decidiu pintar o cruzamento da Praça do Parlamento e a zona do Big Ben, além de bloquear, através de um grupo de nove pessoas, a Rua do Parlamento para chamar a atenção da nova líder do governo britânico.

“A ação de hoje é um desafio direto à primeira-ministra Liz Truss. Pedimos-lhe que faça as mudanças drásticas que sabemos que são necessárias para combater o custo de vida, o clima, e as crises ecológicas que enfrentamos”, apontou um bombeiro reformado que participou na manifestação, citado pela imprensa britânica.

Na rede social Twitter, a Animal Rebellion confirmou estar a “apelar ao governo e a Liz Truss para apoiar as comunidades agrícolas e pesqueiras a afastarem-se da agricultura e da pesca como parte de uma transição urgente para um sistema alimentar baseado em plantas e, em seguida, reordenar as terras libertadas como resultado”.

Liz Truss começou hoje a sua jornada enquanto líder do governo britânico, ao discursar no parlamento. Aos 47 anos, é a terceira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra. Sucede ao conservador Boris Johnson, que liderou o executivo pouco mais de dois anos.

A conservadora vai assumir o cargo principal da governação britânica no momento que o Reino Unido sofre grandes consequência na sua produção agrícola devido as altas e históricas temperaturas registadas este verão e também ao impacto da guerra na Ucrânia. 

De acordo com o The Guardian, as culturas de fruta e legumes poderão trazer apenas metade da sua capacidade por falta de água e até mesmo as culturas que são tolerantes à seca, como o milho, têm vindo a falhar. Já a produção de leite encontra-se em baixo a nível nacional pela falta de alimentos para as vacas. 

Além dos impactos ambientais, a indústria agrícola britânica perdeu mão-de-obra sazonal, devido à invasão russa da Ucrânia, mas também por outros motivos. Segundo um inquérito do National Farmers’ Union (NFU), verificou-se menos 4% dos trabalhadores sazonais, uma vez que os que vivem permanentemente no Reino Unido e procuram trabalho vivem longe das explorações agrícolas e têm dificuldades em mudar-se para estes locais e viver em alojamentos temporários. Mais de dois terços dos trabalhadores agrícolas são de regime sazonal, apontam os dados da NFU. 

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