Opiniao

A rádio que nos une...

O novo panorama de distribuição de rádio através de novos canais, (exemplo a internet), facilita uma maior segmentação de públicos e o objetivo de unir comunidades poderá ser uma característica cada vez maior para a nova rádio.

A rádio que nos une...

por Jorge Bruno Ventura
Professor Universitário Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Relevam-se dois pilares importantes na relação da Rádio com os movimentos migratórios: I) a ligação de Portugal com movimentos migratórios e II) a rádio como elemento criador de comunidades que têm o som e a sua semântica como elementos de união.

Durante muitos anos, Portugal tinha na sua essência e característica ser país de emigrantes. O desenvolvimento verificado a partir da entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, fez com que os portugueses se habituassem a receber estrangeiros que procuram melhores condições de vida. Para além da comunidade dos PALOP, a origem dos imigrantes diversificou-se. Novas comunidades constituíram-se em Portugal. Sobre o segundo pilar que referimos anteriormente, cedo se percebeu que a rádio tem como uma das suas características principais a criação de comunidades. Os ambientes sonoros potenciados através das funções da rádio, e rececionados de forma simultânea por várias pessoas ou os novos formatos de rádio de forma não simultânea, permitem, para além de uma desterritorialização através do som, a formação de identidades que têm como elemento de união entre os membros dessa comunidade, o som escutado e a sua semântica.

É a noção de uma partilha conjunta, que leva à constituição de comunidades que se criam e desenvolvem através da relação com a rádio: um auditório. As modernas tecnologias da informação e da comunicação, com características que facilitam a produção e a difusão, proporcionam a criação de novas dinâmicas no ecossistema mediático. No caso da rádio através de novas formas de produção e escuta. A rádio da contemporaneidade expande-se para o podcast e streaming, por exemplo.

É neste cenário que importa valorizar o contributo do meio rádio para a inclusão de imigrantes na sociedade portuguesa (e também noutras). A dimensão geográfica do país não facilita a existência de rádios dirigidas a comunidades de migrantes, com exceção de alguns poucos casos de rádios com uma programação para a comunidade brasileira (e recordamos a experiência da Rádio Paris Lisboa). No entanto, o novo panorama de distribuição de rádio através de novos canais, (exemplo a internet), facilita uma maior segmentação de públicos e o objetivo de unir comunidades poderá ser uma característica cada vez maior para a nova rádio.

 

 

 

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