Internacional

Putin anuncia mobilização de militares russos na reserva e volta a 'acenar' com armas nucleares

O discurso do chefe de Estado russo foi centrado, como habitualmente, na responsabilização do Ocidente, a quem fez questão de enviar o recado de que o recurso a armas nucleares não é bluff.


O Presidente da Rússia falou ao país, esta quarta-feira, num discurso transmitido na televisão, no qual anunciou uma "mobilização parcial" dos cidadãos russos, numa altura em que a guerra está a chegar ao sétimo mês do conflito e num momento em que a Ucrânia parece estar a recuperar territórios, que tinham sido ocupados.

"Cidadãos que estão na reserva e que já tiveram serviço militar ou que têm especialidades importantes irão ter mais treino para participar nas operações militares", disse Vladimir Putin, anunciando que "o decreto de mobilização parcial já está assinado" e que "a mobilização começará hoje mesmo".

A mobilização parcial é assim justificada, por Putin, com a “necessidade de defender a soberania e a integridade territorial do país”.

No mesmo discurso, o chefe de Estado russo sublinhou ainda que o país vai aumentar o fabrico de armas e que pretende recorrer a todos os meios à disposição para proteger os interesses russos.

"No Ocidente não param de ameaçar o nosso povo, falam do fornecimento de armas de longo alcance à Ucrânia, falam da Crimeia e de ataques à própria Rússia. (…)"Londres e outros dizem que os combates devem passar para o território russo e fazem chantagem nuclear", afirmou Putin, alegando que foi o Ocidente e não a Rússia quem atacou a central nuclear de Zaporíjia.

"Dirigentes da NATO admitem o uso de armas de destruição massiva contra a Rússia. Lembro a quem faz estas acusações que também temos meios de ataque, e mais modernos, e que se a defesa da integridade russa estiver em risco usaremos todos os meios ao nosso alcance para resolver os problemas", ameaçou.

“A nossa segurança está garantida e usaremos todos os meios que temos ao nosso alcance", acrescentou, deixando o aviso. "Os que fazem chantagem tenham cuidado, o mal pode virar-se contra eles".

"Isto não é um bluff", sublinhou, reiterando que "o objetivo do Ocidente é dividir e enfraquecer a Rússia”.

Sobre os territórios, com forte presença de separatistas pró-russos, que anunciaram referendos para definir o estatuto político e territorial, na próxima semana, Putin prometeu que tudo fará para garantir a segurança para que as pessoas possam manifestar a sua vontade".

A terminar o discurso, um recado ou um apelo: "Confio no vosso apoio".

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