Internacional

Quarenta dias depois, dor e repressão na tumba de Mahsa Amini

Nesta data tão simbólica na cultura iraniana, o regime fez tudo para impedir mais protestos.


A cidade natal de Mahsa Amini, Saqqez, no Curdistão, foi palco de confrontos entre a Polícia iraniana e manifestantes que tentavam prestar homenagem a esta estudante curda de 22 anos, morta nas mãos da Polícia da moral  há quarenta dias. Os agentes até chegaram a disparar fogo real e gás lacrimogéneo, na quarta-feira, denunciaram grupos de direitos humanos curdos.

Os ataques da polícia decorreram nos arredores de Saqqez, pretendendo impedir que uma enorme multidão vestida de preto chegasse à campa de Amini, mostram imagens divulgadas nas redes sociais.

O regime, estando na expetativa de mobilizações, tinha enchido as ruas de Saqqez de polícias de choque e paramilitares Basij, avançou a BBC. Esta força militar não responde diretamente ao Estado, mas sim ao aiatolá Ali Khamenei e à Guarda Revolucionária Iraniana, sendo responsáveis pelo policiamento da moral.

Estes protestos já eram previstos, dado o 40º dia após a morte ser um momento simbólico no islão, que marca o fim do luto, comemorando-o com encontros de familiares e amigos. A família de Amini foi ameaçada pelos serviços de segurança, avançou o Guardian, tendo sido avisada  que “deveria temer pela vida dos seus filhos”, mas ainda assim não desistiu da cerimónia em memória da filha.

Logo no dia anterior, começava a ver-se dezenas de pessoas a entrar na cidade, chegando de carro, moto ou até a pé. Tendo sido divulgado nas redes sociais vídeos vistos pela France Press, onde a multidão a gritava em plenos pulmões: “Curdistão, Curdistão, o cemitério de fascistas”.

Afinal, os curdos são um povo orgulhoso do seu combate ao autoritarismo religiosos. Tendo um papel crucial na derrota do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, continuando a preocupar o regime islamita de Recep Tayyip Erdogan e sendo uma dor de cabeça constante para os aiatolás iranianos. Sendo movimentos curdos frequentemente associados à luta pelos direitos das mulheres. 

Contudo, os protestos têm sido bem mais amplos, envolvendo até cada vez mais jovens estudantes de origem xiita. Outra minioria iraniana, os sunitas do Baluchistão, têm também tido um papel destacado. Chegando um dos seus líderes religiosos, o imã Molavi Abdolhamid, até a apoiar os protestos, avançou a Reuters na quarta-feira. Isto após Zahedan, a sua cidade natal, ser palco de uma massacre, quando a Polícia abateu a tiro pelo menos 66 manifestantes. 

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