País ingovernável?

A campanha foi um festival de baixarias, para se usar de um termo popular. As acusações não respeitaram as famílias, mulheres e crianças.

Por Aristóteles Drummond

O Brasil pode se tornar ingovernável. Seja qual for o resultado, o país está dividido, radicalizado, com posições passionais, fora do bom senso.

A campanha foi um festival de baixarias, para se usar de um termo popular. As acusações não respeitaram as famílias, mulheres e crianças. O Judiciário interveio demais, inclusive censurando veículos de comunicação e pressionando Facebook e Instagram, para uma difícil seleção do que pode ou não ser publicado. O absurdo de denúncias de ‘assédio eleitoral’ por pressão de empresas por este ou aquele candidato. O voto é secreto e, portanto, pressionar é ato inócuo, sem sentido prático. Mas ganhou espaço nas mídias…

Algo terá de ser feito para que o escolhido possa governar com um mínimo de paz. A crise é mundial, o mundo vive também um momento complicado.

O único ponto que deixa a sociedade brasileira mais tranquila é o fato de ter sido eleito um Congresso de maioria moderada, conservadora, que pode travar excessos no novo mandato. Mas a tradição nos dá conta de que governantes, quando querem, fazem maioria. A qualquer custo e com qualquer um.

O triste nisso tudo é que crise política e embates agressivos não geram empregos, nem renda, nem crescimento. Esta a vantagem de Bolsonaro, mais operacional do que ideológico.

A agitação política é uma atividade egoísta, elitista, de uma casta de privilegiados. E que trabalham pouco, pois predomina a turma que levanta ao meio-dia. O que também impressiona foi a monumental campanha da mídia tradicional contra o Presidente Bolsonaro. Por mais que ele tenha passado o mandato hostilizando a imprensa, sua postura foi acirrando a ponto de uma exagero. Até gesto tresloucado de um ex-correligionário, rompido com ele, com ação na Justiça contra o Presidente, foi usado para ligar o Presidente a episódio que ele repudiou de pronto. Se perder vai pagar, se vencer é porque Deus é brasileiro.

VARIEDADES

• As reservas cambiais do Brasil estão em 326 mil milhões de dólares. A inflação, em pouco menos de 6%, inferior portanto aos EUA e Reino Unido. Mas os brasileiros nunca mandaram tanto dinheiro para fora oficialmente. 

• O grupo Minerva, o terceiro do Brasil em proteína animal, comprou um grande frigorífico australiano, o maior em cordeiro no país. A empresa brasileira tem como sócio um fundo saudita.

• Na sequência da campanha contra Neymar, em função de seu voto declarado em Bolsonaro, Pelé começou a ser questionado por não se manifestar em política e nos movimentos de negros. O mesmo sempre ocorreu e ocorre com Roberto Carlos, focado em cantar e não em opinar.

• Morreu, no Rio, o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, que foi homem do ano na Câmara Portugal Brasil quando exercia a presidência da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Olavo tinha o título de Marquês de Salamanca, herdado da mãe espanhola. Outro empresário relevante que morreu, mas com 101 anos, foi Mauro Viegas, arquiteto, professor e católico relevante. Viegas foi cunhado do Comandante Hildegardo Noronha, relevante nas relações Brasil-Portugal por décadas. 

• A proximidade da Copa do Mundo e o pós-eleições favorecem a economia ligada ao evento que envolve a paixão brasileira pelo futebol. Havaianas com sandálias com bandeirinhas, bolas, camisetas, bonés, bandeiras disputadas pelo comércio. E, no setor do turismo, estima-se em mais de 20 mil brasileiros no Golfo neste mês de novembro.

• O aquecimento do turismo no Brasil chegou ao nível pré-pandemia. A TAP está com 74 voos semanais ligando Portugal ao Brasil e até o final do ano deve acrescentar mais 15. Impressionante que a TAP está com 21 voos semanais partindo de São Paulo para Lisboa e até o final do ano restabelece os três semanais para o Porto. A empresa é a única a ligar importantes cidades brasileiras a Europa, como Porto Alegre, Belém, Belo Horizonte. Sua concorrente mais próxima é Air France-KLM. 

Rio de Janeiro, outubro de 2022