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Akshata Murthy: a primeira-dama mais rica que o rei

Os novos habitantes do número 10 de Downing Street são dos mais ricos a viver naquele local. É que ao novo primeiro-ministro, Rishi Sunak, junta-se a mulher, Akshata Murthy, filha do conhecido ‘Bill Gates da Índia’. Apesar da fortuna - que está acima da do Rei Carlos III - a nova primeira-dama nem sempre esteve habituada a luxos.

 

Akshata Murthy: a primeira-dama mais rica que o rei

O Reino Unido ganhou um novo primeiro-ministro. Aos 42 anos, Rishi Sunak é um dos mais novos a chegar ao cargo no país e também um dos mais ricos. Riqueza que vem também, em parte, da mulher, Akshata Murthy, que é filha do conhecido ‘Bill Gates da Índia’, Narayana Murthy. Serão, portanto, o casal mais rico a habitar o número 10 de Downing Street, já que a fortuna de ambos está avaliada em mais de 837 milhões de euros. 

A maior parte da fortuna pessoal de Murthy vem de ações na empresa do pai e, segundo a Forbes, só o montante já ultrapassa o património do rei Carlos III, de 442 milhões de libras (cerca de 510 milhões de euros). Além disso, a mulher do primeiro-ministro britânico é ainda dona da Catamaran Ventures, investidora em startups onde Sunak deixou de ter ações quando entrou para o Governo em 2020, e está envolvida com pelo menos seis empresas britânicas. Mas, além dos negócios, Akshata conta ainda - em conjunto com o marido - com quatro imóveis avaliados em 15 milhões de libras (perto de 17,3 milhões de euros), incluindo uma cobertura em Santa Monica, na Califórnia, com vista para a praia que servia de cenário para a famosa série dos anos 1990, Baywatch.

Milionários mas humildes

Apesar de bem financeiramente, a vida de Akshata Murthy nem sempre foi de grandes luxos. Akshata cresceu em Bangalore mas com uma educação muito rigorosa. Era proibida de ver televisão pela mãe e, apesar da riqueza, tanto ela como o irmão Rohan eram obrigados a ir para a escola de rickshaw (carrinho de passageiros de duas rodas), como todos seus colegas de turma, ainda que tivessem possibilidade de fazer a viagem num carro melhor e com mordomo.

A mãe, Sudha Murthy é considerada por muitos como ‘a avó preferida dos indianos’ e autora prolífica, tendo tornado possível a construção de 60 mil bibliotecas na Índia.

«Os meus pais criaram-nos, a mim e ao meu irmão, com fortes valores filantrópicos. O voluntariado em áreas desfavorecidas permitiu-me descobrir os desafios enfrentados pelas mulheres na Índia», chegou a dizer a primeira dama em entrevista. 

Mas os estudos não se ficaram por aqui. Quando entrou no Ensino Superior, Akshata quis estudar Francês e Economia na faculdade privada Claremont McKenna College, na Califórnia, tendo decidido depois migrar para o Instituto de Moda, Design e Publicidade de Los Angeles, o que a levou a trabalhar na Deloitte e na Unilever.

Mais tarde fez um MBA em Stanford, também na Califórnia, e foi aqui que conheceu Rishi Sunak, que tinha ganhado a prestigiada bolsa de estudos Fulbright.

Família discreta e de negócios

O casal apaixonou-se e, ao fim de quatro anos de namoro, decidiu casar numa grandiosa cerimónia de dois dias em Bangalore. O casal tem agora duas filhas.

Pouco depois, Akshata decidiu criar a sua própria marca de moda, a Akshata Designs, em 2009, garantindo então que essa era a sua paixão. Mas o negócio faliu três anos depois. 

E não desistiu. Juntamente com o marido fundou a Catamaran Ventures, em 2013, que investe em startups, «com vista ao crescimento futuro do capital e à distribuição de rendimentos». 

Mas não é só. Está ainda ligada a outras empresas britânicas como é o caso dos restaurantes Jamie Oliver Pizzeria e Jamie’s Italian e detém participações na agência Koru Kids e na cadeira de ginásios Digme Fitness. Além disso, a mulher do primeiro-ministro é diretora da filial britânica da empresa de software fundada pelo irmão e é sócia da cadeira de fast food Wendy’s, na Índia.

Escândalo

Mas apesar de serem discretos, o casal, mais concretamente Akshata, não se livra de escândalos. Em abril deste ano, foi considerada ‘não residente’ pelas autoridades fiscais britânicas, o que garantiu isenção dos impostos do país. Do ponto de vista jurídico, os milhões economizados pela bilionária não infringem a lei. Depois de forte reprovação da opinião pública, a empresária indiana anunciou que os seus rendimentos passariam a ser tributados no Reino Unido. Mas deixou a garantia: «Estou a fazer isto porque quero e não porque a legislação me obriga».

Discretos por opção até aqui, o caso pode agora mudar de figura uma vez que são os novos habitantes da Downing Street. 

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