Internacional

Rússia. Um preço que não assusta nem afasta a invasão

Opositores do Kremlin anunciaram o limite do preço do barris de petróleo russos, mas Moscovo desconsidera esta decisão.


Entrou ontem em vigor o embargo das exportações de petróleo russo por via marítima da União Europeia e, ao mesmo tempo, foi fixado um limite de preço máximo do barril por parte dos países que fazem parte do G7 e a Austrália. Segundo o Kremlin, estas medidas irão desestabilizar os mercados globais de energia, mas não afetarão a capacidade de Moscovo de continuar a invasão militar na Ucrânia.

Este plano, acordado pelos membros das nações G7, irá limitar o preço máximo do barril em 60 dólares (cerca de 56,75€) e tem como objetivo reduzir os lucros da Rússia relacionados com a indústria de combustíveis fósseis, limitando assim o seu financiamento militar, e irá afetar 90% das importações europeias de petróleo russo, o que equivale a cerca de 100 mil toneladas (730 milhões de barris) por ano.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, revelou que a Rússia está a preparar-se para responder aos países que participarão nestas decisões. “A Rússia e a sua economia têm a capacidade necessária para responder às necessidades e requisitos da operação militar especial”, respondeu quando questionado se este novo preço do barril de petróleo afetaria a campanha militar da Rússia na Ucrânia.

Peskov argumentou que este limite do preço vai “desestabilizar completamente” os mercados globais de energia e disse aos europeus para se prepararem para preços mais altos.

O petróleo Brent de referência global subiu 1,7%, para 87,01 dólares (cerca de 91€) o barril, na segunda-feira, após a decisão da União Europeia de adotar o limite de preço do petróleo russo.

No entanto, ressalva a BBC, este valor “ainda está bem abaixo dos máximos observados após a Rússia invadir a Ucrânia”. “Os preços mais altos do petróleo tendem a aumentar os preços da gasolina e o custo de vida”, observa o meio de comunicação britânico, oferecendo como exemplo o caso do Reino Unido, onde o custo de vida “está a subir ao ritmo mais elevado dos últimos 41 anos”.

“A Rússia tem deixado muito claro que não venderá [petróleo] bruto a ninguém que assine o limite de preço”, disse Jorge Leon, vice-presidente sénior da consultora de energia norueguesa Rystad Energy, no programa Today da BBC. “Provavelmente, o que vai acontecer é que iremos assistir a algumas interrupções nos próximos meses e, provavelmente, os preços do petróleo começarão a subir novamente nas próximas semanas”.

 

Explosões na Rússia e na Ucrânia

Foram reportadas, esta segunda-feira, “explosões misteriosas” em duas bases aéreas russas longe das linhas de frente, o que está a levantar a possibilidade de Kiev ter encontrado uma maneira de atingir os bombardeiros russos de longo alcance que estão a ser usados em ataques contra a infraestrutura da Ucrânia.

Segundo meios de comunicação russos, uma das explosões terá acontecido na base aérea Engels-2, na região russa de Saratov, que abriga bombardeiros Tu-95, e a segunda ocorreu na base aérea militar perto da cidade de Ryazan.

Nestes ataques terão morrido três pessoas e cinco ficaram feridas. A causa das duas explosões não foi confirmada.

Entretanto, no mesmo dia, foi também revelado que mísseis russos atingiram edifícios na região de Zaporizhzhia, destruindo várias casas e matando pelo menos duas pessoas, disse uma alta autoridade ucraniana.

O governador da região de Kiev alertou os moradores para permanecerem em abrigos e uma empresa fornecedora de energia avisou que a energia foi cortada após os últimos ataques com mísseis.

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