Opiniao

Celebrações sem fim

Depois de dois anos de celebrações de natal atípicas, e adiadas, devido à pandemia, este ano vingámo-nos! 

Celebrações sem fim

Querida avó, Já celebrámos o 2022º aniversário de Jesus Cristo. Já trocámos presentes. Já comemos como se não houvesse amanhã. Fizemos uns 50 almoços e jantares de natal, com familiares, colegas e amigos. As celebrações começaram no início de dezembro e terminam este fim de semana, para celebramos o Dia de Reis. Já entrámos num novo ano. E continuamos nesta celebração desenfreada.

Só me faz lembrar aquela canção do Herman José: «Amanhã faço dieta/ Hoje é que não me apetece…».

Também não é de admirar, depois de dois anos de celebrações de natal atípicas, e adiadas, devido à pandemia, este ano vingámo-nos!

Por falar em presentes, não posso deixar de partilhar uma curiosidade, que, julgo, nunca falamos. Sabias que os alguns familiares e amigos de Freddie Mercury, o vocalista dos Queen continuam a receber presentes de Natal todos os anos, mesmo tendo este morrido há 31 anos?

Segundo o que li, Freddie Mercury deixou escrito no seu testamento para que uma loja de produtos de luxo, em Londres, enviasse todos os anos um cabaz de Natal aos que mais gostava. Achei a ideia genial.

Que ano o de 2022! Guerra, inflação, uma confusão no Governo … e, mesmo no último dia do ano, ainda morre o Papa emérito Bento XVI.

Vamos lá ver o que que este novo ano nos vai trazer.

Vou apanhar o comboio para ir ao Porto.

O nosso Ruy de Carvalho celebra, em breve, 96 anos de vida.

O ano passado, como sabes, as celebrações aconteceram no Teatro Politeama.

Este ano, no dia em que celebra 96 anos, vai estar no palco do Coliseu no Porto. Como não podia deixar de ser, a exposição que tenho sobre a sua vida e obra irá rumar ao Porto.

Bom, tenho que ir.

Depois conto-te tudo.

Já voltaste para a Ericeira?

Bjs

 

Querido neto, Acho que estou a ficar velha (ou melhor: eu sou velha!). Eu que festejo tudo e, quando não há nada para festejar, invento – já me sinto cansada de tanta festança. Ou melhor: custa-me sair de casa para ir às festas – mas depois quando lá estou até gosto.

Mas aquilo que eu te queria contar não tem nada a ver com isto. É até uma história muito triste. Tinha eu acabado de beber uma bica com o meu filho, num café muito bonito que abriu agora perto da minha casa, quando o telemóvel dele toca – e a minha neta, em lágrimas, diz-lhe que a Taliska fugiu de casa. Alguém deixou a porta da rua aberta e ela foi por aí. A Taliska é um dos 11 cães do meu filho, que ele tinha trazido de Torre Novas para passar o Natal connosco – mas sabes como é, todos eles são únicos.

Foi um fim de tarde atribulado. A minha neta a pedir para eu pôr a notícia na minha página do Facebook, e eu a esmerar-me na notícia. A tarde inteira nisto.

Até que já a anoitecer a minha neta liga-me a dizer que a Taliska já tinha sido encontrada e já estava em casa. Um senhor encontrou-a, ela tem a morada na coleira – e pronto a história teve um final feliz. Quando se tem animais, estamos sujeitos a estas coisas. Aqui há dias tinha sido o Brian – que já está muito velhote mas outro dos cães que tinham trazido também para Lisboa – coitado, que estava com uma diarreia que não parava, e o meu neto Pedro teve de se meter no carro e ir levá-lo a Torres Novas, onde tratam dele…

Espero que até ao fim do ano não aconteçam mais desgraças como estas.

Por essas e por outras é que já vim para a Ericeira! Como nunca fui de festejar o fim do ano – como as passas e mais nada… – e os meus netos já se foram todos embora lá para os estrangeiros onde moram, não estou em Lisboa a fazer nada. Quando me vejo na esplanada da Praia do Sul nem acredito!

Fica bem – e em sossego!!!

Bom ano querido neto.

Bjs

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