Economia

Católica. Economia portuguesa deverá ter “desempenho frágil” em 2023

Economistas estimam ainda que a economia cresceu 6,5% em 2022 em termos homólogos.

Católica. Economia portuguesa deverá ter “desempenho frágil” em 2023

“A economia portuguesa deverá ter um desempenho frágil em 2023, com um intervalo de previsão que vai de uma contração de 1% até uma expansão de 2%, centrado em 0.5%”. As perspetivas são dos economistas da Católica que revelam ainda que o investimento “apresenta uma dinâmica fraca – deverá ter avançado apenas 2.1% em 2022 – apesar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.

Outros fatores que defendem ser importantes observar são a evolução da inflação e das taxas de juro, bem como os limites ao crescimento do turismo. “O consumo privado poderá ressentir-se em função da redução real do rendimento disponível, que poderá ser parcialmente mitigado pela redução da poupança”, alertam.

Já a economia da zona euro “deverá ter um comportamento semelhante, com o ponto central do crescimento do PIB em 0.7% e um intervalo compreendido entre uma contração de 0.6% e uma expansão de 2.0%”, existindo o risco de uma “recessão suave, mas esse não parece ser, ainda, o cenário mais provável”.

“Os principais fatores de risco são a evolução da economia mundial, em particular, os desenvolvimentos nos EUA e na China que abandonou a sua política de Covid zero”, dizem os economistas da Católica, acrescentando que os preços da energia, a inflação e a subida das taxas de juro “permanecem como principais condicionantes da evolução da economia, numa altura em que a guerra na Ucrânia, um desenvolvimento trágico, não parece ser um fator adicional de pressão sobre a economia europeia”.

Em Portugal, acrescentam, o saldo estrutural “poderá melhorar cerca de um ponto percentual face a 2022, fruto da redução do rendimento disponível dos pensionistas em termos reais, a principal medida de ajustamento orçamental de 2023”.

E dizem ainda que o saldo primário e a evolução da inflação “poderão contribuir para a redução do peso da dívida pública no produto, mas a subida das taxas de juro poderá acarretar riscos adicionais para o défice nominal e para a sustentabilidade da dívida a longo prazo”.

No que diz respeito ao ano passado, os economistas estimam que a economia portuguesa terá crescido 6,5% em 2022, abaixo da previsão do Governo.

Já a inflação média foi de 7,8% em 2022 “embora seja razoável esperar que possa descer para cerca de 6,0% em 2023, fruto da recente desaceleração”.

E acrescentam que a política monetária do BCE “deverá contribuir para uma redução da inflação na zona euro e em Portugal, mas apenas no limiar de 2024, dado que as taxas diretoras estão ainda no intervalo entre 2,00% e 2,75%”.

Assim, dizem os economistas, “tudo indica que o BCE deverá subir as taxas de juro de referência ao longo dos próximos meses, seguindo a liderança da Reserva Federal norte-americana neste âmbito, de modo que as taxas de juro se aproximem de níveis que sejam neutros em termos de estímulo da atividade económica e compatíveis com o objetivo de médio prazo em termos de inflação (2%)”.

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