Opiniao

Em Cascais não há estrangeiros

Neste momento somos a orgulhosa casa de cidadãos que representam mais de 80% das nacionalidades do mundo

Em Cascais não há estrangeiros

A temática da mobilidade das populações constitui-se, nos dias de hoje, como um dos elementos centrais e simultaneamente um dos maiores desafios na forma como refletimos e concebemos as políticas de coesão e de desenvolvimento territorial local.

O Município de Cascais tem uma forte tradição no acolhimento de populações estrangeiras, vindas de todo o mundo. É um concelho que pelas suas características apresenta uma forte atratividade para a fixação de novos residentes, quer pelas condições naturais de excelência, quer pela qualidade de vida que disponibiliza aos residentes e que faz aumentar a procura, fruto do muito investimento que tem sido realizado nas mais diversas áreas.

Desta forma, a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a inovar no âmbito das políticas de integração de imigrantes, tentando assegurar condições para que todos se sintam em casa no nosso Concelho, em circunstâncias muito diferentes que vão desde a concretização do Programa Especial de Realojamento, até mais recentemente com a promoção de projetos inovadores na área da educação, saúde, cultura e recursos ambientais, mas também na formação e empreendedorismo imigrante, que temos procurado atender às necessidades das diferentes comunidades, numa lógica de contributo para a coesão e inclusão social no Concelho.

Neste momento somos a orgulhosa casa de cidadãos que representam mais de 80% das nacionalidades do mundo. Ao longo de gerações acolhemos povos de todos os credos e crenças. Assim foi, por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, período em que fomos destino e casa para tantos e tantos milhares de refugiados fugidos do nazismo, ou mais recentemente com cidadãos ucranianos fugidos de outro ‘ismo’.

Os cascalenses de hoje estão à altura do legado dos seus pais e avós. A comunidade ergueu-se de novo contra a loucura da guerra e arregaçou as mangas para auxiliar todos os que precisaram e precisam de ajuda, sejam eles ucranianos, afegãos ou sírios. Aquilo que foi doado para a Ucrânia sobra nos nossos armazéns e está a ser distribuído pelas várias instituições de âmbito nacional, ou seja, as sinergias criadas beneficiam todos os envolvidos. Hoje em dia torna-se fácil, porque desenvolvemos um conjunto de ações assentes na democracia representativa e na comunidade no seu todo, envolvida, a contribuir de forma positiva para garantir que os problemas são resolvidos à medida que vão surgindo. No entanto, este cenário só funciona se não olharmos para o outro como outro. 

A Câmara de Cascais coordena as iniciativas da sociedade civil e não regateia esforços para salvar vidas e ajudar quem mais precisa. 

Gostamos de dizer que, em Cascais, não há estrangeiros. E para garantir essa integração há iniciativas que são apoiadas, como a criação de ‘embaixadores’ que fazem a integração de novos alunos nas escolas ou a implementação de centros de apoio e acolhimento dentro dos bairros.

Mas também verificamos a captação de talento, de empreendedores e consumidores que reforçam o tecido económico de Cascais, para além de combatermos o inverno demográfico e ajudarmos a salvaguardar as contas da segurança social que em algum momento nos pagará as reformas. Precisamos de migração. Pode ser um fator essencial para o nosso desenvolvimento.

A construção de um Plano Municipal que congregasse toda a política local na área da integração de imigrantes constituiu para nós simultaneamente um desafio e uma oportunidade: refletirmos em conjunto com comunidades, técnicos, decisores e eleitos o estado de integração das diferentes comunidades e procurarmos com o seu contributo mais uma vez inovar nas políticas de integração com o objetivo de termos um território mais uno, onde todos se sintam parte de Cascais.

Os territórios que não compreenderem o mundo em que vivemos hoje, não conseguirão ser competitivos amanhã. Ou lideramos a mudança, ou somos liderados por ela. Em Cascais, preferimos ser livres de escolher o nosso próprio caminho. Temos tido uma boa experiência na generalidade das competências que nos têm sido conferidas. 

É fundamental também para o país poder beneficiar e evoluir com base no princípio da proximidade. Infelizmente, muitas vezes, o poder local é desvalorizado e colocado como segunda linha.

O Estado não pode estar a esgotar-se em processos indutores de falta de confiança, em políticas de ziguezague que promovem a perda de confiança. 

O Estado tem de ser confiável e garantir recursos, e as câmaras, têm de assegurar meios para apoiar a sua comunidade, 

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