Desde 2009 e até há meses o investimento empresarial caiu muito em Portugal. No ano passado baixou mais de 8% face a 2012. Este ‘calcanhar de Aquiles’ é, porventura, o dado mais preocupante da nossa situação económica.
A união bancária da zona euro não é a solução para a presente crise, mas prepara o futuro”. O New York Times recolheu este comentário de um economista de um banco londrino, a propósito do acordo alcançado há uma semana sobre o mecanismo para encerrar ou recapitalizar bancos em crise. Parece-me uma observação certeira.
As crescentes desigualdades de rendimentos, de aqui tenho falado, já preocupam instituições conotadas com o capitalismo puro e duro, como o FMI. Na sequência de outros estudos, um relatório de economistas do FMI, publicado este ano, reconhece que nas últimas décadas as desigualdades de rendimentos aumentaram nos países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento. E…
O agravamento das desigualdades económicas no interior dos países, desde os Estados Unidos à China, é uma das mais sérias ameaças políticas e sociais do séc. XXI. Nos países desenvolvidos o acentuar das desigualdades segue-se a um longo período de democratização económica.
Custa-me a aceitar que pessoas com alguma cultura e algum bom senso julguem que um país como Portugal, que viveu anos e anos 10% acima dos seus recursos, pudesse corrigir esse desequilíbrio brutal sem ‘empobrecer’, quando a anterior ‘prosperidade’ era a crédito e com a economia quase estagnada. No entanto, é isso que sugerem vários…
O futuro da integração europeia pouco ou nada se debate, em Portugal e noutros Estados da UE, a três meses das eleições para o Parlamento Europeu. Entretanto, a projectada união bancária, tão importante para os portugueses, avança a passo de caracol. Por imposição alemã, o fundo comum que permitirá separar a dívida soberana (dos Estados)…
A política, incluindo a baixa política, mexe com a economia de muitas maneiras. Basta lembrar a subida dos juros da dívida pública portuguesa quando da crise da coligação governamental PSD-CDS no princípio de Julho passado.
Não terá havido nunca, no país, um ministro das Finanças que tenha beneficiado de um apoio tão constante do primeiro-ministro como eu beneficiei durante estes dois anos”. A afirmação é de Vítor Gaspar, numa entrevista de quase 400 páginas conduzida e prefaciada por Maria João Avillez (Ed. D. Quixote).
O Governo quer afastar o critério da antiguidade para efeitos de despedimento, critério que prejudica o trabalhadores mais novos, por serem os primeiros a despedir. Será uma medida contra a corrente, pois as novas gerações estão a ser prejudicadas pelos ‘direitos adquiridos’ dos mais velhos. Isto, numa altura em que, pela primeira vez desde a…
O desemprego em Portugal baixou um pouco nas estatísticas. Se contarmos com os que emigraram e com os desempregados que desistiram de procurar trabalho, será mais realista dizer que o nosso desemprego estagnou. O que já não é mau, pois previa-se uma continuada subida no número de desempregados ao longo de 2013.
A questão das patentes de produtos farmacêuticos voltou à ordem do dia. No início do século a África do Sul decidiu legalizar a importação de um genérico contra a SIDA, que copiava um medicamento patenteado. Tendo inicialmente recorrido aos tribunais, a indústria farmacêutica acabou por ceder. Aliás, hoje é permitida essa prática, para beneficiar os…
O debate sobre a situação financeira e económica do país tem vindo a concentrar-se na questão de Portugal solicitar, ou não, um programa cautelar. Um programa destes não é um resgate, é uma rede de segurança, na forma de uma linha de crédito do fundo de resgate europeu, linha que só será utilizada se for…
A Autoridade da Concorrência prevê organizar este ano conferências e seminários para promover a política de concorrência. Não será fácil mudar a centenária aversão nacional a tudo o que significa livre competição no mercado.
Multiplicam-se os sinais de hostilidade à entrada de imigrantes em países da União Europeia (UE), incluindo de imigrantes provenientes de outros Estados-membros – contrariando o princípio da livre circulação de pessoas no espaço da UE que, com a livre circulação de bens, serviços e capitais, é a base do mercado único europeu.
Em Junho de 2012 o Conselho Europeu decidiu criar uma união bancária, com um objectivo principal: separar a dívida soberana (dos Estados) da dívida dos bancos. É que estas duas dívidas contaminam-se mutuamente, num ciclo vicioso que ameaça o euro.
Fala-se muito do défice das contas públicas, ainda não eliminado, o que mantém a dívida pública portuguesa a subir – já anda perto dos 130% do PIB. Também são conhecidas as dificuldades de muitas famílias sobreendividadas. Fala-se menos da dívida das empresas portuguesas, que é a maior da UE: 140% do PIB.
Volto ao tema das acentuadas e crescentes desigualdades de rendimentos no capitalismo actual. É um dos problemas sociais e políticos mais graves do séc. XXI. Pela primeira vez desde a revolução industrial, há mais de dois séculos, as novas gerações da maioria da população americana e europeia irão provavelmente viver pior do que os seus…
Uma economia de exclusão e de desigualdade é «uma economia que mata». A denúncia é do Papa Francisco, num longo texto divulgado na semana passada. Exagero? O anterior Papa, Bento XVI, já havia pedido (em vão?) «uma nova e profunda reflexão sobre o sentido da economia e dos seus fins» e «uma revisão profunda e…
A ideia de que vivemos anos acima dos nossos recursos indigna alguns. Que encaram o empobrecimento de Portugal resultante do programa da troika como uma maldade do Governo.