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Inês Pedrosa


  • O poder dos leitores

    Os leitores pedem o impossível. Acreditam que os livros são capazes de mudar o mundo. 

    O poder dos leitores

  • Somos todos retornados

    Primeiro, as pessoas sentiram que o seu passado se transformara numa grande mentira, ou – pior – num pecado: foi a fase do «vivemos acima das nossas possibilidades». 

    Somos todos retornados

  • Só se justifica quem perde

    O meu pai rematava frequentemente as explicações ou desculpas alheias com a seguinte frase: «Só se justifica quem perde». Com o correr dos anos estas palavras parecem-me cada vez mais exactas, aplicando-se não apenas a quem perde um jogo ou uma aposta, mas sobretudo a quem perde o contacto com a verdade, a vergonha ou…

    Só se justifica quem perde

  • A persistência do analfabetismo

    Portugal é o país mais analfabeto da União Europeia: esta revelação feita pela Pordata (base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos) põe o dedo no centro da ferida nacional: a impreparação. 

    A persistência do analfabetismo

  • Afinal, elas pensam

    Quando, em 2007, a interrupção voluntária da gravidez foi aprovada por referendo, muitas vozes se ergueram contra esta medida de protecção da saúde das mulheres, profetizando que os abortos se multiplicariam. 

    Afinal, elas pensam

  • Uma pequena luz

    Experimentei a felicidade de ver um jovem amante de jazz mas desconfiado da chamada ‘música clássica’ converter-se entusiasticamente ao talento dos grandes compositores na penúltima edição dos ‘Dias da Música’ do Centro Cultural de Belém.

    Uma pequena luz

  • Respeito

    O primeiro ensinamento dos capitães de Abril continua por absorver. Três sílabas: respeito. A consideração pela vida, pela carreira e pela individualidade alheia.


  • Que inveja!

    Passei a infância inteira sem ter ouvido a um adulto a expressão: “Tenho inveja de”. Em contrapartida, ouvi inúmeras vezes expressões de gratidão.


  • O trunfo da memória

    Admiro quem ainda consegue dar importância aos libelos acusatórios que os políticos lavram sobre os seus opositores, e analisá-los como se contivessem um qualquer mistério da ciência.


  • O país da adolescência

    A juventude é glorificada em abstracto e fustigada no correr dos dias. Sofre o peso das expectativas e a dor de se sentir em permanente perda. É assim por toda a parte, mas pior nos países tristes.


  • A manifestação pela cultura

    No passado sábado, o Largo de S. Carlos, aldeia natal de Fernando Pessoa, encheu-se de pessoas com chapéus pessoanos, que rumaram dali ao Teatro da Trindade para assistirem a um espectáculo de textos do autor de Livro do Desassossego.


  • Salário em iogurtes

    Uma empresa de produtos lácteos colocou um anúncio oferecendo a recém-licenciados em Engenharia de Gestão Industrial, Economia, Gestão ou Matemática um ‘estágio curricular’ de seis meses, a tempo inteiro, na zona de Castelo Branco, com o objectivo de elaborar uma “análise de custos de leite”.


  • A vergonha das vítimas

    Dez valorosos deputados da Assembleia da República (oito do Bloco de Esquerda, dois de Os Verdes) bastaram para que, na véspera do Dia da Mulher do ano de 2014, a violação se tornasse crime público – isto é, passe a dispensar queixa da vítima.


  • A educação para a bondade

    A educação para a bondade foi substituída pela instrução para o cinismo.


  • O êxodo

    Partir depressa. A frase que mais ouço aos adolescentes próximos. Repito-lhes que não é assim, que a felicidade é possível nesta terra. As minhas palavras estão todas erradas: a felicidade não lhes interessa, a repetição não os demove, os nãos dos mais velhos cheiram ao ranço do paternalismo. Move-os o sonho de iluminar as coisas.…


  • Política, por favor

    Há 29 anos que o país é psicologicamente dominado pela figura de um homem de poder cujo carisma radica na dissociação entre política e ideologia, e na negação de ambas a favor de uma virtude superior – a do ‘consenso’.


  • Mirene

    “Eras assim um terreno largo para onde se olhava, eu pelo menos gostava de olhar”. A primeira frase de Retrato dum amigo enquanto falo, de Eduarda Dionísio, foi a oração que me ocorreu quando a minha mãe me deu a notícia da morte da Mirene.


  • Os tesouros perdidos

    A primeira informação que o caso da colecção Miró nos presta é a seguinte: havia num banco português uma colecção de arte extraordinária a que a população não tinha acesso.


  • A civilização da praxe

    “Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos”.