Porque não aproveitou o PM a entrevista para fazer uma crítica impiedosa aos ‘terroristas’ que tentaram boicotar o processo de vacinação e porque continua a ignorar o gestão competente do vice-almirante Gouveia e Melo, numa altura em que se verifica um enorme e favorável consenso acerca da sua capacidade e competência?
O nosso país recebeu, nos últimos 35 anos, mais de 150 mil milhões de euros, divididos por diversas ‘últimas oportunidades’
Quando em 2015, contra todas as expectativas e num clima político de reconhecida facilidade, o PS de António Costa perdeu (insista-se perdeu) as eleições contra a PAF de Passos Coelho, poucos terão sido os que pensaram que a sequência lógica desse desastrado resultado, não fosse a abdicação do líder do PS. Este raciocínio era racional…
Assim o que podia ter corrido bem, correu muito mal e o decurso da presidência portuguesa, até pela ocorrência de diversos factos negativos, que embora de origem doméstica tiveram repercussão internacional, tornou este semestre europeu num período de acentuada irrelevância.
Por muito que isso custe aos habituais propagandistas do sistema, a Presidência Europeia de Portugal, foi, do ponto de vista político, um acontecimento quase irrelevante.
A acumulação de casos nos últimos dias e a circunstância de a maioria desses casos ser, de uma maneira geral perfeitamente previsível (nalguns casos conhecidos há meses) demonstra que de uma maneira geral, as tais lições para o futuro de pouco servem e, sobretudo, nada corrigem.
Ora este vírus, instalado no regime político português desde 2015, tem vindo a acentuar-se progressivamente.
Só os ‘otimistas irritantes’, categoria psicossocial que os políticos portugueses criam com alguma facilidade, podem continuar a assobiar para o lado, sem aceitarem que a construção europeia está numa encruzilhada, onde os fatores de elevado risco começam a não ser desprezíveis.
Em que outro país da União Europeia era possível assistir, em plena pandemia, a uma troca de opiniões tão ‘civilizada’ como a que se verificou, entre o chefe do Governo e o líder do principal partido da oposição? Obviamente, só em Portugal, onde, como sabemos e acabámos de reconhecer embora contrariados, se vive no melhor…
Surpreendentemente, a estratégia de combate à corrupção que o Governo recentemente apresentou, apesar de conter normas interessantes que constituem pequenos passos positivos, dedica um ensurdecedor silêncio à problemática do enriquecimento indevido.
É necessário um forte sobressalto cívico e o Presidente parece estar disponível, para em nome de todos, o protagonizar.
Quando a União Europeia conseguiu, com dificuldade e tempo, construir uma solução financeira para acorrer à degradação económica dos estados membros provocada pela pandemia, foi consensual a ideia de que o projeto europeu tinha, de novo, retomado o seu caminho.
Talvez antecipando essa nova postura (ou mudança de circunstâncias?), o Presidente da República criou (perante o silêncio do Governo) uma task force especial para acompanhar (controlar?), a partir de Belém, a aplicação dos recursos europeus que financiarão o Plano de Recuperação e Resiliência.
A pandemia tomou decididamente conta da nossa vida, subalternizando tudo resto e impedindo um debate sério, estruturado e profundo sobre o que verdadeiramente vai determinar o futuro do nosso país.
As expectativas da Presidência portuguesa, que, como foi reconhecido, já não eram famosas, ficaram ainda mais enfraquecidas com o estranho caso da nomeação do representante português na Procuradoria-Geral Europeia, que, após os danos colaterais que provocou, sobretudo junto do PE, parece ter ganho agora uma nova dimensão com um recurso para o Tribunal Europeu, que,…
A crise com que o primeiro- -ministro há alguns meses nos ameaçou, com acompanhamento de fundo do Presidente da República em exercício, e que teria sido ultrapassada com a aprovação do primeiro Orçamento de Estado para 2021, está, afinal, aí à frente da nossa vista e do nosso conhecimento.
Portugal sucede à Alemanha; ora se é verdade que todos são iguais (embora também na União alguns sejam mais ‘iguais’ do que outros), este facto acaba por facilitar extraordinariamente a nossa tarefa.
Poucas vezes o nascimento de um novo ano será acompanhado de tantas incertezas e de tantas angústias mas também de tantas esperanças.
Não podemos continuar com ilusões, mentiras e fugas às responsabilidades porque isso só serve para sedimentar e alimentar projetos de exclusivo poder pessoal.