à margem dos encontros que manterá com vítor gaspar, jardim reúne-se logo no início da semana com o primeiro-ministro, na sequência da sua tomada de posse como presidente do governo regional da madeira. e seguem-se depois os encontros com a presidente da assembleia da república, assunção esteves, e finalmente com o presidente da república.
esta sequência de encontros contraria o protocolo mas na estratégia de jardim estará o objectivo de quando se reunir com cavaco silva já levar um quadro traçado das medidas que o governo propõe para o plano de austeridade e os pontos que poderá vir a contestar.
ainda antes da tomada de posse já ocorreram alguns contactos entre membros da equipa de vítor gaspar e o secretário regional do plano e finanças, josé manuel garcês.
as negociações entre o ministério das finanças e o governo regional da madeira têm um prazo apertado. o objectivo é conseguir chegar a acordo sobre as medidas que vão ser exigidas à madeira em apenas 15 dias, de forma a que o plano de austeridade para a região já possa constar do orçamento do estado para 2012, que é votado no dia 30 no parlamento.
caso as negociações não estejam concluídas a tempo o que poderá suceder é que o governo estabeleça um limite para o endividamento da madeira. e, nesse cenário, as negociações com a madeira já ficariam logo à partida condicionadas pela rubrica inscrita no oe para 2012. e é isso que a equipa de alberto joão jardim pretende evitar, caso não consiga chegar acordo no prazo dos 15 dias.
um discurso com recados
entretanto, no discurso da posse, jardim foi já enunciando a posição que adoptará na mesa das negociações. e em vez da estratégia diplomática, em vésperas de negociar o plano de resgaste da dívida, o presidente manda recados para dentro do próprio partido e faz passar a mensagem de que tem algum poder negocial com a república: «a madeira não se rendeu, nem se rende, apesar das tentativas dolosas ilegais de, em lisboa, se ter procurado interferir nos resultados eleitorais últimos, com descaramento e infantilidade estratégica. para o efeito, até usando arlequins locais, que ainda hoje só são motivo para um humor que sabe perdoar». uma tirada do presidente, primeiro dirigida a passos coelho e, a nível local, a miguel albuquerque e josé manuel rodrigues, alegadamente por tentarem replicar a coligação psd-cds à madeira no último combate eleitoral.
sobre as negociações que se seguem com lisboa para resolver a dívida, nem uma palavra.
