Grécia: Tsipras e Putin fecham acordo de 2.000 milhões de euros

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu hoje um acordo de 2.000 milhões de euros sobre a extensão do gasoduto russo na Grécia, um acordo que não é bem visto em Bruxelas.

Tsipras foi recebido por Vladimir Putin durante uma hora e meia, à margem do fórum económico internacional organizado pela Rússia, e disse esperar que este projeto, cujo financiamento será avançado por Moscovo, abra a porta a "vastas possibilidades de cooperação".

"Sabemos a situação difícil em que estão e em que o vosso povo se encontra", afirmou por sua vez o chefe de Estado russo que se congratulou com o reforço "de iniciativa grega" da cooperação entre os dois países.

O protocolo, assinado pelo ministro grego da energia, Panagiotis Lafazanis, prevê prolongar o gasoduto TurkStream, entre a Rússia e a Turquia, até ao território grego a partir do próximo ano.

Se este acordo de princípio se confirmar, os trabalhos devem ser realizados por uma sociedade detida em partes iguais pela Rússia e pela Grécia mas financiada totalmente por um crédito do banco de desenvolvimento russo VEB, de acordo com o ministro russo da energia, Alexandre Novak.

A aproximação de Atenas a Moscovo não se limita, no entanto, ao gás. Segundo o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, citado pelas agências russas, os dois chefes de estado discutiram também meios para organizar a importação russa da produção agrícola grega, ainda que não esteja em causa dar uma ajuda financeira direta.

Este acordo surge num momento em que Atenas está num braço-de-ferro com Bruxelas para evitar um possível incumprimento de pagamentos por parte da Grécia, depois de os ministros das Finanças da zona euro terem estado reunidos no Luxemburgo na quinta-feira, num encontro que terminou sem acordo.

A menos de duas semanas de expirar o programa de assistência financeira do país e da data limite para a Grécia pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (ambas a 30 de junho), Atenas continua longe de chegar a um compromisso com os seus credores internacionais.

As reformas que mais afastam Atenas e credores prendem-se com cortes nas pensões, sobretudo nos complementos das reformas mais baixas, e subidas no IVA (imposto sobre o consumo, especialmente nos medicamentos e eletricidade). No excedente orçamental primário (que exclui os juros da dívida) há um entendimento no valor a alcançar, mas é preciso chegar a acordo quanto às medidas para lá chegar.

O Governo grego quer ainda uma estratégia para lidar com a elevada dívida do país, o que poderia ser feito através de uma nova reestruturação, uma solução que parece ser tema 'tabu' na Europa.

Sem acordo, a Grécia – com os cofres públicos praticamente sem dinheiro – fica à beira do incumprimento e mesmo de uma saída da zona euro (o famoso 'Grexit').

Lusa/SOL