Em comunicado, os directores das estações de televisão lamentam que os partidos não tenham chegado a um acordo que possibilitasse um debate com a coligação, o PS, o PCP e o BE. E anunciam que haverá apenas os frente-a-frente já anunciados entre os líderes dos partidos com assento parlamentar.
Foi o desfecho de uma longa novela que se arrastava desde as negociações para alterar a lei da cobertura mediática das eleições. E acabou por ser também a consequência dessa alteração legislativa.
Na lei, a maioria definiu que as televisões seriam apenas obrigadas a convidar para debates, pelo menos, os partidos com assento parlamentar.
A ideia era evitar que, como no passado, as estações pudessem ser sancionadas por não terem nos debates todos os partidos, independentemente da sua representatividade ou do interesse jornalístico.
O problema é que a lei impõe apenas um representante por candidatura e, na leitura de PS e PCP, isso significa que a coligação só poderia estar representada por Passos ou por Portas e nunca pelos dois.
PSD e CDS tentaram rebater esta ideia, defendendo que os centristas têm um grupo parlamentar autónomo.
Mas nenhum dos lados cedeu ao argumento do outro. Conclusão: não haverá debate com todos, porque sem Portas Passos não quer ir ao debate.
Outra consequência deste braço-de-ferro é que Portas terá de debater com Heloísa Apolónia dos Verdes e não com Costa, como desejaria, nem sequer com Jerónimo de Sousa.
Costa recusou-se a debater com Paulo Portas, porque fará o debate apenas com um representante da PàF, Passos Coelho, numa transmissão simultânea em todos os canais generalistas.
Jerónimo, que exige para os Verdes – que, com o PCP formam a coligação CDU – o mesmo tratamento dado ao CDS, recusou-se a debater com Portas.
Resultado: Portas terá o seu frente-a-frente com Heloísa Apolónia. Apesar de acusar António Costa de fugir ao debate, Portas reagiu esta Terça-feira dizendo-se "encantado" por debater com a líder do PEV.